Uruguaios apóiam governo em briga contra Argentina

Uma pesquisa realizada pela consultoria Radar, de Montevidéu, indicou que 77% dos uruguaios aprovam a decisão do presidente Tabaré Vázquez de permitir a instalação de duas fábricas de celulose no município de Fray Bentos, sobre o rio Uruguai, na fronteira com a Argentina.As fábricas, pertencentes à espanhola Ence e à finlandesa Botnia, estão causando, desde meados do ano passado, uma guerra diplomática entre os dois países. O governo do presidente argentino, Néstor Kirchner, quer impedir sua construção, alegando que são altamente poluentes. O governo Vázquez contra-argumenta, afirmando que sua tecnologia é de ponta, e que segue rigorosos padrões ambientais.A pesquisa, comandada pelo analista social Daniel Chasquetti, também indicou que Vázquez - que tomou posse há quase um ano - possui uma imagem positiva de 62%.Guerra da celuloseA tensão entre os dois países vem crescendo há vários meses, mas agravou-se desde dezembro passado. Há mais de duas semanas, moradores das cidades argentinas da fronteira bloqueiam duas das três pontes que conectam a Argentina com o Uruguai, impedindo a passagem de caminhões e turistas. Os manifestantes contam com o respaldo ostensivo de Kirchner.O próprio Kirchner pediu ao Parlamento que aprove o pedido para encaminhar um processo contra o Estado uruguaio na Corte Internacional de Justiça de Haya. Na quarta-feira à noite, o Senado aprovou o pedido. Ontem, foi a vez da Câmara de Deputados aprovar a abertura do processo contra o Uruguai.No Uruguai existe profunda indignação com a posição argentina. A opinião pública e os partidos da oposição - em uma atitude inusitada - declararam o respaldo a Vázquez, para que resista às pressões de Kirchner e dos manifestantes argentinos.Para complicar o cenário, os empresários uruguaios afirmam que os piquetes realizados nas pontes estão começando a estrangular a economia uruguaia. O Ministro dos Transportes, Victor Rossi, chamou os piquetes de "verdadeiro bloqueio econômico".As duas fábricas de celulose realizarão investimentos de US$ 1,8 bilhão, o equivalente a 13% do PIB uruguaio.

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