Uruguaios chegam ao Congo em missão da ONU

Com os rostos prensados contra uma cerca, dezenas de crianças congolesas observavam e gritavam "paz" enquanto soldados uruguaios montavam acampamento nesta quinta-feira nas proximidades do Lago Tanganica. Este é o primeiro pelotão das forças armadas enviadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para uma missão cujo objetivo é pôr fim aos dois anos e meio de guerra civil na terceira maior nação africana. Kalemie, cerca de 1.600 quilômetros a leste da capital, Kinshasa, é uma das quatro seções de quartéis nos quais 2.500 soldados das tropas multinacionais armazenarão suprimentos vitais, equipamentos e veículos que serão necessários aos cerca de 500 observadores desarmados da ONU encarregados de monitorar o frágil cessar-fogo entre as partes em conflito, assinado em julho de 1999 e, desde então, freqüentemente violado. "Temos muitas esperanças de alcançar a paz", disse o comandante das forças, major-general Mountaga Diallo, do Senegal, depois de fazer uma visita de reconhecimento da área ao lado dos soldados uruguaios. Mas nesta quarta-feira, Mountaga disse que o governo da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire) e seus aliados de Zimbábue, Angola e Namíbia não cumpriram o prazo para recuar todas as suas forças. Soldados de Ruanda e Uganda, que apóiam os rebeldes congoleses desde o início do conflito, em agosto de 1998, cumpriram o prazo final fixado para esta quinta-feira. Na sede das Nações Unidas em Nova York, o porta-voz Fred Eckhard, disse que a missão da ONU verificou a retirada das tropas ruandesas e do Movimento Congolês pela Democracia que se encontravam na cidade de Pweto, no leste do Congo. Soldados do governo congolês também abandonaram Pweto, disse ele.

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