PABLO PORCIUNCULA / AFP
PABLO PORCIUNCULA / AFP

Uruguaios elegem conservador filho de ex-presidente como principal candidato a desbancar a esquerda

Pela esquerda, pesquisas de boca de urna indicam vitória de Daniel Martínez

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 21h52

MONTEVIDÉU - Os uruguaios decidiram neste domingo, 30, quem disputará em outubro o lugar do presidente Tabaré Vázquez, que não pode se reeleger. Pesquisas de boca de urna indicam que o senador e advogado Luis Lacalle Pou será o representante do Partido Nacional, a força mais cotada para tirar do cargo a esquerda, no poder desde 2005. Pelo lado governista, os mesmos levantamentos apontam uma indicação tranquila de Daniel Martínez, ex-prefeito de Montevidéu.

Com a mudança de tendência ideológica na última década nos governos de Paraguai, Argentina e Brasil, o Uruguai tornou-se um remanescente entre governos de esquerda na América Latina. 

Lacalle Pou, advogado de 45 anos cujo único ofício na vida foi ser parlamentar, promete flexibilizar o Mercosul, reduzir a criminalidade e derrubar o déficit. Seu pai, Luis Alberto Lacalle Herrera, que governou de 1990 a 1995, quebrou monopólios de serviços públicos, fez um severo ajuste que reduziu o déficit de mais de 6% do PIB. 

Lacalle pai concorreu pela última vez em 2009, quando foi derrotado pelo ex-guerilheiro José Mujica. O filho disputou a eleição seguinte, em 2014, sendo derrotado no segundo turno por Tabaré. 

As pesquisas colocam o Partido Nacional em igualdade com o governismo, mas é provável que, em caso de uma disputa em segundo turno em novembro, Lacalle Pou seja apoiado pelos partidos Colorado (centro-direita), Independente (centro-esquerda) e De la Gente (direita), para construir um governo de coalizão.

Entre os colorados, o escolhido foi o economista Ernesto Talvi, um debutante na arena política eleitoral. Ele desbancou o duas vezes o presidente Julio María Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000). 

Primárias

Quase 2,7 milhões de eleitores estavam registrados para votar ontem em um processo não obrigatório, no qual cada grupo político escolheu um candidato para a disputa da sucessão de Tabaré, que entregará o poder no dia 1.º de março de 2020. A votação interna em um mesmo dia é característica do país de 3,4 milhões de habitantes, que registra estagnação econômica e aumento dos índices de violência.

As eleições internas contaram com 15 partidos e 28 aspirantes à disputa pela presidência – e a ausência de alguns líderes históricos. O próprio Tabaré, que por lei não pode disputar a reeleição, e o ex-presidente Mujica (2010-2015), também na Frente Ampla, não participaram da disputa.

Para chegar à candidatura, Lacalle Pou enfrentou o bilionário Juan Sartori, de 38 anos, que cresceu nas pesquisas nas últimas semanas. Sartori, admirador de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, apostava que os ventos populistas também soprassem no Uruguai. Sartori lançou sua candidatura em dezembro e apresentou propostas que os adversários consideram demagógicas. / AFP

 

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