US$ 13 bi para o Iraque, a maioria empréstimos

A conferência internacional de doadores para a reconstrução do Iraque terminou hoje (24), em Madri, com contribuições prometidas no valor de US$ 13 bilhões, mas a maior parte do dinheiro virá em forma de empréstimos para um país que possui uma dívida externa de US$ 120 bilhões, estimada hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Apesar disso, a chanceler espanhola, Ana Palácio, considerou o encontro "um sucesso" e o secretário americano de Estado, Colin Powell, definiu-o como "um êxito" e uma demonstração de que a comunidade internacional está unida para ajudar o Iraque. Powell disse estar confiante em que os países que não fizeram doações em Madri "provavelmente poderão fazê-lo" no futuro. "Nós seremos muito sensíveis sobre o peso da dívida que está sendo colocado sobre o povo iraquiano. Temos de reestruturar o débito antigo e ser muito cuidadosos com o novo", admitiu Powell. Num balanço dos dois dias do evento, o ministro das Finanças da Espanha, Rodrigo Rato, estimou o total arrecadado em US$ 33 bilhões, nos quais estão incluídos os US$ 20,3 bilhões que os EUA pretendem entregar como doação. Segundo Rato, os US$ 33 bilhões não incluem créditos de exportação, assistência técnica e outra ajuda prometida, como 100 toneladas de chá do Sri Lanka e arroz no valor de US$ 500 mil doado pelo Vietnã. Todo o dinheiro doado, com exceção da contribuição americana, irá para um fundo que será administrado pelo Banco Mundial e a ONU. A estimativa da ONU, dos EUA e do Banco Mundial é que serão necessários US$ 56 bilhões para obras de infra-estrutura no Iraque nos próximos quatro anos. O porta-voz das Nações Unidas, Bill Orme, ressalvou que 2004 será o "ano crítico", quando o país precisará de US$ 9 bilhões. "É o único ano em que eles serão totalmente dependentes de apoio externo", disse Orme. "E esse valor nós já temos." O dinheiro americano faz parte de uma verba de suplementação orçamentária de cerca de US$ 87 bilhões encaminhado pela Casa Branca ao Congresso, para despesas militares e de reconstrução do Iraque e Afeganistão, aprovada na semana passada. No entanto, o Senado endossou uma emenda pela qual metade dos US$ 20,3 bilhões seriam convertidos em empréstimos. O projeto está sendorenegociado no Congresso porque o presidente George W. Bush ameaçou vetar todo o pacote se essa emenda não for retirada. Hoje, as maiores contribuições anunciadas foram as da Arábia Saudita, Kuwait (US$ 500 milhões em empréstimos, além do US$ 1 bilhão já gasto no país) e Emirados Árabes Unidos (US$ 215 milhões). Mas nem tudo é doação. A Arábia Saudita - o país mais rico no mundo árabe - anunciou a entrega de US$ 1 bilhão, do qual metade será em empréstimos até 2007 e o restante em créditos para exportação. A contribuição do Japão, anunciada dias atrás, foi a segunda maior: US$ 5 bilhões, dos quais US$ 1 5 bilhão em doações para 2004 e o restante em empréstimos de 2005 a 2007. O vizinho Irã, com o qual o Iraque esteve em guerra de 1980 a 1988, ofereceu os portos iranianos para as exportações de petróleo iraquiano e suprimentos de eletricidade e gás. Também fez uma proposta inusitada: o envio de cerca de 100 mil turistas e peregrinos por mês aos santuários xiitas do Iraque, o que resultaria em um incremento de US$ 500 milhões por ano. A ajuda da União Européia - incluindo o da instituição e as contribuições individuais dos países - é de apenas US$ 826 milhões, menos do que sua oferta para o Afeganistão (US$ 931 milhões). França e Alemanha, países que se opuseram à guerra, contribuíram apenas por intermédio da UE, enquanto Grã-Bretanha e Espanha, aliados dos EUA fizeram contribuições generosas.

Agencia Estado,

24 de outubro de 2003 | 17h43

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