US$ 250 mil para ser vizinho de Evita

Cemitério da Recoleta tem túmulo à venda ao lado do da ''rainha dos descamisados''

, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2011 | 00h00

Mais de 2 mil pessoas - a maioria estrangeiros - visitam diariamente o Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. A maioria faz a visita de praxe ao sóbrio mausoléu onde está enterrada Evita Perón, mulher do presidente Juan Domingo Perón e a figura feminina mais famosa da história da Argentina, cuja vida foi imortalizada não somente em monumentos, mas também em musicais da Broadway, filmes e desenhos animados.

Por tabela, ser vizinho do túmulo da Evita implica em um fúnebre status VIP, que é acompanhado pela inevitável alta cotação imobiliária. Desta forma, o mausoléu de Livia Pineda de Figueroa, localizado do lado direito da jazida de Evita, está sendo vendido por US$ 250 mil. O pequeno cartaz colocado na porta do mausoléu tem como público-alvo argentinos e estrangeiros, já que indica de forma bilíngue que está "À venda / On sale".

Os especialistas indicam que o preço só não é mais alto porque o mausoléu de Lívia não é de mármore, a qualidade da construção deixa a desejar, e está longe do portão de entrada do cemitério. Apesar das desvantagens, o preço do fúnebre imóvel contíguo ao de Evita seria equivalente ao valor pago por apartamentos de 120m² em edifícios ao redor do cemitério da Recoleta.

A cotação dos túmulos na Recoleta oscila entre US$ 20 mil a US$ 400 mil (os mais elegantes, com mármore e esculturas) e é significativamente mais elevada do que em outros cemitérios considerados populares, como o La Chacarita, onde está enterrado o cantor de tangos Carlos Gardel.

Evita não teve um post-mortem plácido. Primeira integrante do casal Perón a ir para o além, foi embalsamada em 1952. Três anos depois Perón foi deposto por um golpe. O corpo de Evita foi sequestrado pelos militares e depois enviado para Milão com um nome falso. Somente quando Perón voltou ao poder, em 1973, os militares devolveram o corpo. / ARIEL PALACIOS, BUENOS AIRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.