Brendan McDermid
Brendan McDermid

Usbequistão, reduto do Islã radical na Ásia central

Movimento islâmico radical surgiu no país em 1991, o ano de sua independência

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 12h09

WASHINGTON - País de origem do autor do ataque de Nova York, o Usbequistão viu surgir, a partir da década de 1990, um movimento islâmico radical que se espalha atualmente, com usbeques envolvidos em vários ataques em todo mundo. Segundo a imprensa americana, o motorista da caminhonete branca que atropelou ciclistas e pedestres  é Sayfullo Saipov, um usbeque de 29 anos que mora em New Jersey.

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Ele teria visto de residência permanente, o green card, de acordo com o jornal The New York Times, que afirma que já "estava sob o radar" da Polícia. O presidente do Usbequistão, Chavkat Mirzioyev, prometeu usar todas as suas forças e recursos para ajudar na investigação sobre este ato terrorista.

Ex-república soviética, laica e de maioria muçulmana, o Usbequistão foi dirigido com mão de ferro pelo autoritário Islam Karimov de 1989 até sua morte, em setembro de 2016. Chavkat Mirzioev, seu ex-primeiro-ministro, assumiu as rédeas do país, defendendo uma ruptura com o autoritarismo de seu antecessor. O movimento islâmico radical surgiu no país em 1991, o ano de sua independência.

O Movimento Islâmico do Usbequistão (MIO) surgiu em um vale povoado por 12 milhões de habitantes, o Vale de Ferghana, localizado no leste do país, mas que também abrange parte dos territórios do Quirguistão e do Tadjiquistão.

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De 1992 a 1997, o MIO foi acusado de estar por trás de uma série de assassinatos cometidos no Vale de Ferghana. A organização tentou introduzir a lei islâmica na região e chegou a lançar uma ofensiva em 2000 no sul do Usbequistão. Severamente reprimido a partir de 1998 por Islam Karimov, o MIO se juntou ao Taleban no Afeganistão, antes de jurar lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI) em 2015. Vários líderes do MIO também ocuparam altos cargos na Al-Qaeda.

Radicalismo

O Movimento Islâmico do Usbequistão participou do ataque sangrento no aeroporto paquistanês de Karachi, que matou 37 pessoas em junho de 2014.

Os islamitas uzbeques se fizeram ouvir principalmente no exterior. Como os demais países da Ásia central - Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Casaquistão -, as sombrias perspectivas econômicas e a corrupção levaram muitos jovens ao exílio, principalmente na Rússia.

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Entre eles, alguns tentaram se juntar a grupos radicais. Segundo os serviços de segurança russos, entre 2.000 e 4.000 cidadãos da Ásia central se uniram às fileiras das organizações extremistas no Iraque e na Síria, seja do EI, seja da facção síria da Al-Qaeda.

E os cidadãos usbeques, ou aqueles de origem usbeque que vivem em países vizinhos, formam um dos maiores contingentes. O governo do Usbequistão nunca publicou números sobre seus cidadãos que se juntaram aos jihadistas, mas as estimativas de especialistas variam de 500 a mais de 1.500.

Muitos deles se fizeram conhecer nos últimos anos. Abdulkadir Masharipov, o suposto autor do ataque reivindicado pelo EI contra uma boate em Istambul, que matou 39 pessoas na véspera do Ano Novo, é de nacionalidade uzbeque.

Apesar de ter nascido no Quirguistão e de possuir nacionalidade russa, Akbarjon Dkhalilov, o suposto autor do atentado no metrô de São Petersburgo que matou 14 pessoas em abril, era etnicamente uzbeque.

Poucos dias após o ataque em São Petersburgo, um usbeque, que havia manifestado simpatia pelo EI, foi preso pela Polícia sueca depois de dirigir um caminhão contra uma multidão em uma movimentada rua de pedestres em Estocolmo. Cinco pessoas morreram nesse episódio.

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