Usina nuclear japonesa continua vazando, dizem inspetores

Nova ameaça é resultado de danos em 50 equipamentos afetados pelo terremoto de 6,8 graus de segunda

Associated Press e Efe,

19 Julho 2007 | 10h34

Autoridades japonesas descobriram que material radioativo continuou vazando da usina nuclear Kashiwazaki-Kariwa até pelo menos a última quarta, segundo informa nesta quinta, 19, a Associated Press.   A usina foi bastante afetada por um terremoto de 6,8 graus que atingiu o Japão na última segunda-feira. Pelo menos 10 pessoas morreram e outras mil foram feridas pelo tremor. Cerca de 13 mil foram obrigados a deixar suas casas na segunda.   Veja também: Usina nuclear japonesa pode passar mais de um ano fechada   Na usina, foi verificado o vazamento de 1.200 litros de água radioativa para o mar. A companhia elétrica Tokyo Electric Power (Tepco), responsável pela direção da usina, divulgou que, no total, foram registrados 50 problemas causados pelos tremores, incluindo incêndios, rompimento de tubos, quebra de equipamentos e vazamento de óleo.   Inspetores nucleares comprovaram que a nova ameaça é resultado desse "mal-funcionamento". A usina deverá continuar fechada por tempo indeterminado.   Na quarta, foram encontrados danos em cem contêineres com roupas e luvas contaminadas. Também foram detectadas partículas radioativas no filtro de um reator nuclear que parou de funcionar por causa do terremoto.   A Agência de Segurança Nuclear e Industrial relatou que um componente de iodo radioativo vazou de um dos tanques entre terça e quarta-feira, afirmou Hisanori Nei, porta-voz da agência.   Na quarta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohamed El Baradei, afirmou que "esta claro que este terremoto, como a Tepco indicou, foi mais forte do que o reator foi projetado para suportar"   O setor nuclear japonês, que fornece quase um terço da eletricidade do país, está marcado há anos por acobertamento de acidentes e condições de segurança precárias. Tudo isso já causava preocupações aos moradores da região, que em 2004 sofreu outro grande tremor, que fez 65 vítimas fatais.   A Tepco pediu que seis outras empresas supram a eletricidade que deve faltar. As ações da empresa caíram 4% na quarta-feira, maior queda em cinco meses.   Funcionários do governo, inclusive o primeiro-ministro Shinzo Abe, criticaram a Tepco, dizendo que ela demorou a divulgar informações e que isso pode abalar a credibilidade no sistema nuclear.

Mais conteúdo sobre:
Usina nuclearTepcoterremoto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.