Usina nuclear japonesa pode passar mais de um ano fechada

Governo demonstra preocupação com segurança do setor e com iminente crise energética no país

CHISA FUJIOKA, REUTERS

19 Julho 2007 | 12h39

A maior usina nuclear do mundo pode passar mais de um ano fechada devido ao terremoto que provocou um vazamento radiativo, o que gera especulações de uma crise energética no Japão e preocupações com a segurança do setor nuclear. A usina da empresa Tokyo Electric Power (Tepco) em Kashiwazaki, no noroeste do Japão, foi duramente atingida por um terremoto de magnitude 6,8 graus na última segunda-feira. Veja também: Usina nuclear japonesa continua vazando, dizem inspetores "Não surpreende que a ansiedade e desconfiança das pessoas a respeito da segurança da energia nuclear continuem crescendo", disse o primeiro-ministro Shinzo Abe a um boletim eletrônico nesta quinta, 19. "Desnecessário dizer que garantir a segurança das pessoas é da máxima importância." A usina Kashiwazaki-Kariwa está fechada desde o tremor, que destruiu casas e matou dez pessoas. As autoridades dizem que ela só poderá ser reativada quando houver garantias de segurança. O jornal econômico Nikkei disse que a interdição pode durar mais de um ano, enquanto são feitas verificações de segurança. A notícia, que derrubou as ações da Tepco, indica que pode faltar energia no Japão no auge do verão, dentro de algumas semanas. De acordo com o jornal, a interdição pode ser ainda mais prolongada caso a usina - sempre criticada por ativistas antinucleares e, sabe-se agora, aparentemente construída sobre uma falha tectônica - tenha de ser submetida a reformas. Nesta semana, a Tepco admitiu que a quantidade de radiação que vazou após o terremoto era muito superior à estimativa inicial. A empresa admite não saber quando a usina será reativada. "A prioridade é poder dizer que a instalação é segura", afirmou um porta-voz. Analistas afirmam que a empresa, líder no setor elétrico japonês, enfrentará também milhões de dólares em gastos extras e possivelmente verá seus lucros encolherem caso tenham de ligar usinas desativadas para atender à demanda do verão. As ações da empresa tiveram queda superior a 5% na quinta-feira, mais do que dobrando as perdas desde o terremoto de segunda-feira. A Tepco disse que o tremor superou a intensidade para a qual a usina foi projetada. O primeiro reator do local começou a funcionar mais de 20 anos atrás. A empresa afirma que a falha geológica que provocou o tremor foi achada há quase 30 anos, durante a construção da usina, mas nunca preocupou porque não se imaginava que ela pudesse provocar um terremoto forte. O Japão concentra cerca de 20% dos terremotos do mundo com magnitude igual ou superior a 6. Todos os anos, as pessoas sentem até 2 mil terremotos. As regras de segurança contra terremotos para as 17 usinas nucleares do país, responsáveis por um terço da energia consumida, foram reforçadas no ano passado, obrigando as empresas a reavaliar os riscos. A conclusão dos estudos deve levar mais de dois anos, segundo uma fonte oficial do setor, mas o governo já anunciou que pretende acelerar o processo.

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