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Peter Parks/AFP
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Usina nuclear na China apresenta risco de 'ameaça radiológica iminente'

A atividade incomum em um reator de energia nuclear na China chamou a atenção internacional, já que duas empresas francesas envolvidas na usina reconheceram os problemas

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 16h41

PEQUIM - A atividade incomum em um reator de energia nuclear na China chamou a atenção internacional, já que duas empresas francesas envolvidas na usina reconheceram os problemas nesta segunda-feira, 14, mas disseram que eles poderiam ser tratados com segurança. Inaugurada há dois anos, Usina Nuclear de Taishan, na Província de Guangdong, está sob vigilância por um problema em um circuito de um de seus reatores do tipo EPR, construídos em parceria com a francesa EDF.

A EDF, principal concessionária de energia da França e co-proprietária da usina, disse em um comunicado que certos gases nobres se acumularam na água e no vapor ao redor das barras de combustível de urânio no coração do reator. Mas disse que o reator tinha procedimentos para lidar com esse acúmulo de gases, que descreveu como um"fenômeno conhecido. 

Framatome, uma afiliada da EDF e construtora dos reatores, disse que houve um problema de desempenho, mas que a planta estava operando dentro de seus parâmetros de segurança. Na China, a usina disse em um comunicado na noite de domingo que nenhum vazamento no meio ambiente foi detectado. Uma reportagem da TV americana CNN desta segunda-feira diz que a Framatome havia procurado ajuda dos Estados Unidos, citando uma ameaça radiológica iminente na central nuclear de Taishan. 

A emissão dos chamados gases nobres - por exemplo xenônio ou argônio, que são gerados durante a fissão nuclear - detectada no circuito primário do reator, seria causada por uma degradação do revestimento de alguns elementos físseis, explicou a EDF, sem especificar quantos desses elementos foram afetados.

Um reator do tipo EPR contém 241 conjuntos físseis, cada um consistindo de 265 elementos ou hastes. "O circuito é projetado para que sejam coletados e tratados", garantiu a empresa.

O circuito primário é um circuito fechado contendo água pressurizada, que se aquece na cuba do reator em contato com elementos combustíveis, os quais são empilhados em hastes envoltas por bainhas metálicas. "A presença de determinados gases nobres no circuito primário é um fenômeno conhecido, estudado e previsto pelos procedimentos operacionais dos reatores", havia indicado a empresa mais cedo.

"Deve haver bainhas metálicas vazando, deixando passar gases nobres que contaminam o fluido primário", comentou a vice-diretora-geral do Instituto Francês para Proteção contra Radiação e Segurança Nuclear (IRSN), Karine Herviou, em conversa com a agência de notícias France Presse. "Dito isso, a contaminação do fluido primário não significa liberação para o meio ambiente", ressaltou, explicando que ainda existem duas barreiras de contenção.

Ela acrescenta que, nesta fase, não se pode falar em acidente: "Não sabemos os valores, a concentração, não sabemos a extensão do fenômeno. Não há grande preocupação por enquanto, tendo em conta o que nós sabemos".

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com sede em Viena, declarou que nesta fase não há nenhuma indicação de que tenha ocorrido um incidente radiológico.

Os dois reatores de Taishan, não muito longe de Macau e de Hong Kong, são até agora os únicos EPRs em serviço no mundo. Outros exemplares desses reatores de terceira geração estão em construção na Finlândia, na França e no Reino Unido, mas vários reveses técnicos atrasaram seu comissionamento por vários anos.

A Framatome havia indicado mais cedo que monitora a evolução de um dos parâmetros operacionais no local, mas sem dar detalhes, ou falar em vazamento. A central está em seu campo de operação e segurança autorizada, garantiu a Framatome em nota.

Ameaça radiológica

Com base em uma carta enviada pela Framatome ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, a CNN revelou um possível vazamento nesta central. A Framatome teria se dirigido aos Estados Unidos para solicitar autorização de assistência técnica para resolver uma ameaça radiológica iminente. Não se sabe por que o aval americano é necessário para intervir.

Ainda de acordo com o canal americano, as autoridades de segurança chinesas também aumentaram os limites aceitáveis de radiação fora do local para evitar o desligamento da usina.

Já a operadora da central, China General Nuclear Power Group (CGN) - estatal proprietária de 70% da planta de Taishan -, divulgou um comunicado de imprensa, informando que os indicadores ambientais estavam normais. "Atualmente, o monitoramento contínuo dos dados ambientais mostra que os indicadores ambientais da usina nuclear de Taishan e seus arredores são normais", disse o grupo chinês, que não respondeu aos pedidos de informações.

O Ministério chinês das Relações Exteriores também não respondeu aos pedidos, assim como a Comissão de Energia Atômica da França. A EDF afirma que entrou em contato com a joint venture TNPJVC e coloca sua expertise à disposição. 

O grupo francês disse ter convocado uma reunião extraordinária da entidade detentora da central para apresentar todos os dados e as decisões necessárias.  A China tem cerca de 50 reatores em operação, o que coloca o país em terceiro lugar no mundo, atrás de Estados Unidos e França./AFP e NYT

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