Uso de arma pesada faz Brasil rever posição

O uso de armamento pesado contra civis pelo regime de Bashar Assad, tornou a violência na Síria ainda mais "condenável e inaceitável" e levou o Brasil a endurecer sua posição com relação a Damasco. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Tovar Nunes, a dura nota divulgada na sexta-feira representa um aumento na preocupação do governo com os desdobramentos da crise síria.

IURI DANTAS, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h02

A mudança de tom do governo brasileiro, segundo ele, ocorreu não só em razão da escalada do conflito, mas principalmente pelo fato de Assad ter lançado mão de armamento pesado contra civis. As suspeitas têm como base a morte de mais de 220 pessoas em Tremseh. O massacre ocorreu em uma vila próxima à cidade de Hama, também palco de violentos confrontos.

O uso de armamento pesado "rompe com o princípio de cessar a violência contra civis", afirmou Nunes. O bombardeio por tropas do governo mostra que o massacre de Tremseh não foi apenas "mais uma onda de violência", na avaliação do governo brasileiro. Daí a decisão de condenar "veementemente a repressão contra civis desarmados", de acordo com a nota divulgada na sexta-feira.

No entanto, o governo brasileiro ainda acredita que haja espaço para uma transição política comandada pelos próprios sírios e evita falar abertamente em sanções na ONU, como defende a Casa Branca.

Na nota divulgada na sexta-feira, o Itamaraty mencionou o Conselho de Segurança como responsável por autorizar ações armadas contra países em nome da ONU. No entanto, o Brasil limitou-se a defender o respeito a duas resoluções do organismo que permitem o acesso de observadores aos locais em conflito.

"O governo brasileiro insta o governo sírio a interromper imediatamente quaisquer ações militares contra civis desarmados e a cooperar com a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS) permitindo-lhe acesso irrestrito aos locais conflagrados por conflitos, conforme mandato do Conselho de Segurança da ONU", dizia o texto da nota.

Pressão. O massacre aumentou a pressão internacional sobre o regime sírio e seus principais aliados, Rússia e China. O presidente francês, François Hollande, fez uma séria advertência a Moscou e Pequim. "Digo a russos e chineses que, não fazendo nada para avançarmos rumo a sanções duras, será o caos e a guerra que se instalarão na Síria em detrimento de seus próprios interesses", afirmou.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que está "indignada" com o massacre em Tremseh e exigiu que a ONU pressione ao máximo o regime de Assad. Ela pediu ainda que os países-membros do Conselho de Segurança se perguntem se a falta de ação é o legado que eles querem deixar - em clara referência a russos e chineses.

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