Vaca louca: Rússia pode trocar vendas dos EUA pelo Brasil

A decisão da Rússia de suspender as importações de carne bovina dos Estados Unidos pode obrigar o governo russo a rever o sistema de cotas para importação em 2004. A avaliação é do presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. Depois de confirmada a descoberta de uma vaca leiteira com encefalopatia espongiforme bovina (EEB), ou doença da vaca louca, nos Estados Unidos, o governo russo suspendeu as compras de carne americana. Para 2004, a Rússia fixou cota máxima de 447,2 mil toneladas para importação de carne bovina. Desse total, os americanos têm direito a exportar 17,2 mil toneladas. O Brasil foi incluído na categoria de "outros países", o que significa que terá que disputar com outros fornecedores uma cota de 68 mil toneladas. "Sem poder comprar dos Estados Unidos, a Rússia terá que distribuir a cota americana para outro país e o Brasil é o único que pode suprir essa demanda", afirmou Nogueira. Ele lembrou que problemas climáticos dificultam as exportações da Austrália, país que perdeu para o Brasil em 2003 o posto de maior exportador mundial de carne bovina. Nogueira lembrou que para abastecer seu mercado interno a Rússia precisa importar 700 mil toneladas de carne bovina por ano. O dirigente da CNA ressaltou, ainda, que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, convocou uma reunião com o setor para avaliar os impactos comerciais do registro da vaca louca nos Estados Unidos. A reunião acontecerá n a segunda-feira, dia 5, às 16h, no ministério.

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