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Pascal Rossignol/REUTERS
Pascal Rossignol/REUTERS

Vacina de Oxford sofre forte resistência de países da Europa

Levantamento mostra que maioria das doses  distribuídas entre os membros da UE não  foi administrada

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 05h00

LONDRES - Quatro de cada cinco doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca-Oxford entregues aos 27 países da União Europeia não foram usadas, apontou uma investigação do jornal britânico The Guardian publicada nesta quinta-feira, 25. Usando dados do Centro Europeu de Controle de Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e outras fontes oficiais, o jornal estimou que 4.849.752 das 6.134.707 doses distribuídas não foram usadas.

De acordo com o Guardian, a decisão das autoridades de França, Alemanha, Polônia e Itália de recomendar o uso da vacina de Oxford só para pessoas com menos de 65 anos, aliada à falha dos governos em redirecionar o imunizante para os mais jovens, seria o motivo para a lenta administração das doses.

Nesta semana, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung que a vacina também é rejeitada após uma série de informações negativas sobre a eficácia e a segurança do imunizante. 

“Há atualmente um problema de aceitação da vacina AstraZeneca”, disse Merkel, na entrevista. “AstraZeneca é uma vacina confiável, eficaz e segura, aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos e recomendada na Alemanha até os 65 anos de idade. Todas as autoridades nos dizem que essa vacina é confiável. Com imunizantes tão escassos quanto agora, você não pode escolher com o que vacinar.” 

Conforme levantamento feito pelo jornal El País, a Alemanha armazenou 85% das vacinas da empresa – de quase 1,5 milhão de doses recebidas, pouco mais de 200 mil foram aplicadas. Na semana passada, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a vacina é “quase eficaz”. Segundo o Guardian, das 1.137.600 de doses recebidas pelos franceses, 125.859 ou 11%, tinham sido aplicadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação para todas as pessoas com mais de 18 anos. Quando aprovou o uso do imunizante, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) também disse que a vacina poderia ser usada por todas as pessoas com mais de 18 anos. 

Apesar da liberação, a agência alemã resolveu não recomendar doses da AstraZeneca para pessoas acima de 65 anos, alegando que a maioria dos participantes nos testes tinha entre 18 e 55 anos de idade. A empresa afirmou que a eficácia da vacina em grupos etários mais altos não pôde ser avaliada e continua a fazer estudos.

A vacina da AstraZeneca já foi licenciada em pelo menos 50 países – o primeiro foi o Reino Unido, ainda no ano passado. “Estamos trabalhando bastante para tentar convencer as pessoas a aceitar a vacina e para construir novamente a confiança da população. Infelizmente, levará algum tempo para atingir esse objetivo”, afirmou à Radio 4’s Today Thomas Mertens, presidente da agência alemã que decidiu barrar a vacina para os mais velhos. / AP e REUTERS

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