Vacina experimental contra aids reduz risco de infecção

Pela primeira vez, uma vacina experimental ajudou a reduzir o risco de infecção pelo vírus da aids. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) afirmaram que os resultados "trouxeram nova esperança" para o campo das pesquisas de uma imunização contra o vírus. A vacina reduziu o risco de infecção por HIV em mais de 31%.

AE-AP, Agencia Estado

24 de setembro de 2009 | 10h49

O resultado foi anunciado hoje em Bangcoc. O teste de vacinas foi o maior já feito no mundo e envolveu 16 mil voluntários na Tailândia. A vacina é uma combinação de duas versões anteriores que não haviam dado resultados.

Ainda que o benefício seja modesto, "é a primeira evidência de que nós poderemos ter uma vacina segura e efetiva", disse o médico norte-americano Jerome Kim, coronel que ajudou a liderar os estudos para o Exército dos Estados Unidos, que patrocinam a iniciativa, junto com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.

O diretor do instituto, Anthony Fauci, advertiu que "esse não é o fim da linha", mas também se disse surpreso e bastante satisfeito com o resultado. "Isso me dá um otimismo cauteloso sobre a possibilidade de melhorar esse resultado e desenvolver mais vacinas contra a aids", afirmou Fauci. "Isso é algo que podemos fazer."

O Ministério da Saúde Pública da Tailândia conduziu o estudo, usando cepas do vírus comuns no país asiático. Os cientistas ressaltaram que ainda não se sabe se a vacina será efetiva contra outras linhagens, como as presentes nos EUA e na África, entre outros pontos do mundo.

Porém mesmo uma vacina parcialmente efetiva já teria um grande impacto. Todos os dias, 7.500 pessoas contraem o vírus HIV. Dois milhões de pessoas morreram após pegar a doença em 2007, segundo a Unaids.

"Hoje é um marco histórico", afirmou em comunicado o diretor executivo da Coalizão por uma vacina para a aids, um grupo internacional que trabalha pelo desenvolvimento da vacina. "Levará tempo e recursos para analisar completamente e compreender o dado, mas há pouca dúvida de que isso energizará e redirecionará o campo da pesquisa da vacina para a aids."

O estudo usa uma combinação de duas vacinas, em que a primeira reforça o sistema imunológico para atacar o HIV e a outra fortalece a resposta. Nenhuma das duas tinha funcionado no passado em testes anteriores, e dezenas de cientistas qualificaram a nova iniciativa como inútil quando ela começou, em 2003.

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