Ariana Cubillos/AP
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Vacinação na Venezuela: o que se sabe sobre a campanha de imunização

Governo Nicolás Maduro vacinou apenas cerca de 250 mil pessoas até o momento; oposição faz críticas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2021 | 10h00

CARACAS - Em meio ao aumento de casos de covid-19 e mortes por complicações da doença com a chegada de uma segunda onda de contágios, a vacinação na Venezuela progride lenta ou rapidamente, dependendo de quem analisa o programa de imunização.

Mas o que se sabe até agora sobre o plano de vacinação do governo de Nicolás Maduro?

Quantas doses foram aplicadas?

Segundo dados do próprio governo venezuelano, apenas cerca de 250 mil pessoas foram vacinadas até o momento -- a maioria trabalhadores da saúde ou voluntárias de um programa do governo que busca encontrar possíveis casos positivos indo de casa em casa.

Mas não se sabe quantos deputados -- que podem ter sido incluídos nas categorias prioritárias -- foram vacinados.

O país recebeu, até o momento, 750 mil doses das vacinas Sputnik V e Sinopharm. As unidades recebidas até agora, todas em dose dupla, são suficientes para vacinar apenas 1,3% da população de 30 milhões de habitantes.

O ministro da Saúde, Carlos Alvarado, afirmou que a vacinação está caminhando rapidamente, o que não condiz com os números reais.

De onde vêm as vacinas?

Até agora, a Venezuela utilizou vacinas Sinopharm e Sputnik V, mas o próprio Maduro já disse que avalia outras opções, como as cubanas Abdala e Soberana 2, ambas em fase de testes.

O governo venezuelano anunciou que a Abdala será produzida no país, mas não divulgou a data prevista para o início das operações nem a quantidade mensal estimada de vacinas que serão fabricadas.

Em março, a Venezuela ratificou seu veto à vacina da AstraZeneca -- por medo de possíveis complicações -- depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter indicado as doses que seriam destinadas ao país pelo consórcio Covax.

O programa está funcionando no tempo devido?

A resposta curta é sim, mas apenas se forem levados em conta os últimos depoimentos de Maduro, que descumpriu as promessas já feitas e adiou o início da vacinação em massa da população para julho deste ano.

No entanto, a data planejada para a imunização em massa na Venezuela passou por várias mudanças e as expectativas diminuíram à medida que o governo percebeu que seus planos iniciais de adquirir 10 milhões de doses da Sputnik V em tempo recorde eram excessivamente ambiciosos e não muito viáveis.

Há críticas contra o plano?

A oposição venezuelana, reunida sob a liderança de Juan Guaidó, considera que os esforços do governo Maduro para vacinar a população são insuficientes, e exige a autorização de uso da vacina da AstraZeneca.

Já os sindicatos dos trabalhadores da saúde destacam que o programa de vacinação é tão fraco que pode ser considerado inexistente e reivindicam a estruturação de um calendário de imunização.

Existem setores privilegiados?

A Venezuela disse que a prioridade é imunizar "a primeira linha de combate" à covid-19 -- todos os profissionais de saúde e voluntários -- seguidos por professores, medida considerada essencial para que os alunos voltem às salas de aula.

Mas o governo venezuelano também anunciou que os deputados da Assembleia Nacional (AN) e outros políticos estariam entre os primeiros a receber as vacinas, sem dar mais informações sobre quem entrou na lista.

Maduro e a esposa, a deputada Cilia Flores, já foram vacinados com a Sputnik V, o que gerou críticas de opositores e sindicatos de trabalhadores da saúde, mas não protestos da população. /EFE

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