Rey Del Rio/Getty Images/AFP
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Vacinas começam a sair de fábrica nos EUA e imunização deve começar na segunda

Até quarta-feira, 2,9 milhões de doses devem chegar a cerca de 600 locais de aplicação da vacina

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2020 | 16h05

WASHINGTON - A primeira leva de doses da vacina contra covid-19 desenvolvida pela Pfizer e pelo laboratório BioNTech começou a ser transportada da fábrica da farmacêutica aos Estados americanos neste domingo, 13.

Com a aprovação da agência reguladora do país, a FDA, para o uso emergencial do imunizante, na noite da sexta-feira, o governo americano iniciou no domingo o esforço de distribuição das doses, que podem começar a ser aplicadas em profissionais de saúde na segunda-feira, 14.

Até quarta-feira, 2,9 milhões de doses devem chegar a cerca de 600 locais de aplicação da vacina. Os primeiros a receberem as doses nos Estados Unidos serão profissionais de saúde e moradores e trabalhadores de casas de repouso e clínicas médicas.

Funcionários da Pfizer aplaudiram o momento em que o primeiro caminhão saiu da planta da farmacêutica em Kalamazoo, no Estado do Michigan, para transportar as doses da vacina.

Cerca de 185 mil frascos de vacina começaram a ser transportados, o que atraiu curiosos ao aeroporto de Grand Rapids, em Michigan, para ver o avião de carga que decolou com caixas da vacina. Cerca de 400 mil frascos devem ser transportados na segunda-feira. Cada frasco tem cinco doses da vacina.

Os EUA prometem vacinar 20 milhões de americanos até o final de dezembro. Para isso, o governo conta com a aprovação pela FDA de uma segunda vacina, além do imunizante da Pfizer, a elaborada pela farmacêutica Moderna. Os dois imunizantes exigem duas doses de vacinação. Para alcançar 20 milhões de americanos, portanto, o país precisa de 40 milhões de doses.

Depois da aprovação da vacina da Pfizer e da BioNTech pela FDA na sexta-feira, o Centro de Controle de Doenças (CDC) aprovou e recomendou a vacinação de americanos com 16 anos de idade ou mais. Com toda a burocracia formalizada, os Estados podem começar a vacinar os profissionais de saúde quando receberem os frascos da vacina. 

Com 328 milhões de habitantes, os EUA querem vacinar 100 milhões de moradores até o final do primeiro trimestre de 2021. O presidente eleito, Joe Biden, que toma posse no dia 20 de janeiro, se comprometeu a distribuir 100 milhões de doses nos primeiros 100 dias de governo.

Especialistas alertam para o fato de que desafios de logística e de aplicação das vacinas, bem como questões sobre produção e fornecimento das futuras doses pelas farmacêuticas, podem surgir nas próximas semanas. Em entrevista ao Estadão, a especialista e integrante do time de Biden para combate à pandemia durante a transição, Luciana Borio, afirmou que os Estados não receberam recursos financeiros e preparação logística suficiente para realizar a vacinação na segunda fase, quando um maior número de doses estiver disponível e a vacinação em massa começar para mais grupos da população. 

O transporte das vacinas e do gelo seco aos locais que receberão as doses está sendo feito pelas empresas FEdEx e UPS, que realizam o serviço postal nos EUA. Segundo o jornal The New York Times, há containers especiais com gelo seco elaborados pela Pfizer para manter as doses na temperatura exigida (de 70 graus negativos) por até 10 dias. Cada caminhão com as caixas terá rastreamento de localização, temperatura, exposição à luz e movimento.

A vacinação terá início em meio a uma nova onda de propagação do coronavírus no país, que tem registrado mais de 200 mil novos casos por dia. No sábado, 2,2 mil pessoas morreram em decorrência da covid-19 no país, que chega perto da marca de 300 mil mortes desde o início da pandemia.

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