(Foto de Brendan SMIALOWSKI / AFP)
(Foto de Brendan SMIALOWSKI / AFP)

Vacinas e clima dominam reunião do G-7, primeiro encontro presencial desde o início da pandemia

Apesar do evento presencial, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país exerce a presidência do grupo, não apertará as mãos dos demais líderes para evitar os contágios

Martine Pauwels/AFP, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 09h00

Do clima à pandemia, os líderes do G-7 buscarão respostas comuns para as crises mundiais, nesta sexta-feira, 11, em sua primeira reunião de cúpula em quase dois anos, começando pela distribuição de um bilhão de doses de vacinas contra a covid-19.

Após meses de videoconferências, os encontros presenciais retornam, com direito a várias reuniões bilaterais até domingo, uma recepção com a rainha Elizabeth II e um churrasco na praia. 

A reunião de cúpula inclui os chefes de Estado e de Governo da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido na cidade de Carbis Bay, sudoeste da Inglaterra

Este é o primeiro encontro de cúpula do presidente americano, Joe Biden, que aposta com força no multilateralismo após o mandato isolacionista de Donald Trump. Também é a primeira reunião do tipo para o italiano Mario Draghi e o japonês Yoshihide Suga

Mas a última para Angela Merkel, que deixará nos próximos meses o posto de chefe de Governo da Alemanha, que ocupa há 16 anos.

Apesar do evento presencial, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país exerce a presidência do G-7, não apertará as mãos dos demais líderes: para evitar os contágios a reunião obedece restrições, que incluem testes diários de covid-19.   

As medidas são necessárias no momento em que o Reino Unido, com quase 128.000 mortes provocadas pelo coronavírus, enfrenta um aumento de casos da variante Delta, o que ameaça atrasar a última fase da flexibilização das restrições. 

Um bilhão de vacinas 

No centro das conversas estarão a recuperação de uma economia mundial paralisada pela pandemia e uma distribuição mais equitativa das vacinas contra a covid-19 por parte dos países ricos.  

Diante dos crescentes apelos por solidariedade, os líderes devem anunciar a distribuição de "pelo menos um bilhão de doses", compartilhadas ou financiadas, e aumentar a capacidade de produção, com o objetivo de "acabar com a pandemia em 2022", segundo Downing Street.

"Chegou o momento para que as democracias mais importantes e as mais avançadas tecnologicamente assumam suas responsabilidades e vacinem o mundo. Porque ninguém está protegido enquanto o mundo inteiro não estiver protegido", disse Boris Johnson. 

O governo dos Estados Unidos já se comprometeu a doar 500 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech a 92 países. O Reino Unido distribuirá 100 milhões de doses de excedente, principalmente por meio do programa Covax. 

Mas para ONGs isso é insuficiente e o G-7 deveria aprovar a suspensão das patentes para permitir a produção em larga escala. Uma proposta apoiada por França e Estados Unidos, mas que tem a oposição da Alemanha.  

"Com o atual ritmo de vacinação, os países de baixa renda demorariam 57 anos para alcançar o mesmo nível de proteção que o países do G-7. Isto é moralmente inaceitável, mas também contraproducente", destacou a Oxfam.

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu aos laboratórios farmacêuticos a doação de 10% das doses vendidas e acredita que a reunião de cúpula vai apoiar o objetivo de ter 60% dos africanos vacinados até o fim do primeiro trimestre de 2022.    

De acordo com a agência Bloomberg, o G-7 também solicitará uma nova investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a origem do coronavírus.  

"Plano Marshall" climático 

A luta contra a mudança climática será outra prioridade da reunião, que promete ser neutra em carbono, antes da grande conferência da ONU sobre o clima, a COP26, prevista para novembro na Escócia. 

Johnson aspira um "Plano Marshall" para ajudar os países em desenvolvimento, segundo o jornal The Times, similar ao grande financiamento americano para a reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial.  

Em maio, os ministros do Meio Ambiente do G-7 se comprometeram a acabar com os subsídios públicos às centrais de energia elétrica que utilizam carvão este ano, com a promessa de "esforços ambiciosos e acelerados" para reduzir as emissões de CO2.

Mas os ecologistas, que pretendem organizar protestos nos arredores da reunião, lamentam as promessas imprecisas.  

Na quinta-feira, Johnson e Biden demonstraram unidade a respeito da emergência climática e aprovaram uma nova "Carta do Atlântico" que também ressalta a necessidade de enfrentar os ciberataques. 

Mas se os dois grandes aliados estão em sintonia sobre grandes temas internacionais como os desafios representados por China ou Rússia, as tensões persistem sobre a Irlanda do Norte, que está no centro de uma disputa pós-Brexit entre Londres e a União Europeia. 

Biden, de ascendência irlandesa, reiterou o apoio aos compromissos comerciais assumidos entre as partes, que considera uma garantia de paz na província britânica. De acordo com a polícia local, 3.000 pessoas protestaram na quinta-feira à noite em Belfast contra as novas decisões pós-Brexit. / AFP

 

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