Vaga no conselho da ONU une Brasil e Alemanha

O Brasil e a Alemanha vão investir numa aliança política em favor da reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo será eliminar as resistências à ampliação do conselho e garantir a condição de membros permanentes para os dois países. Prioridade da agenda externa brasileira, o tema deverá consumir boa parte da conversa reservada entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, na manhã de hoje, no Palácio do Planalto.O chanceler chegou ontem a São Paulo, onde tinha agendado visitas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à prefeita Marta Suplicy (PT). Hoje estará em Brasília, para o sexto encontro reservado com Fernando Henrique. Segundo uma fonte do Planalto, os dois têm mantido desde 1999 um ?diálogo intenso? sobre temas de interesse comum. A ONU é um tópico repetido nessas conversas.Derrotada na 2.ª Guerra Mundial (1939-1945), a Alemanha foi mantida distante do Conselho de Segurança, apesar do crescimento de seu poderio econômico e de sua influência no plano político internacional. Mesmo tendo participado da guerra do lado dos vencedores e assumido a condição de maior economia latino-americana, o Brasil só integrou o conselho como membro rotativo, sem poder de veto. A expectativa é que a discussão sobre a reforma do organismo seja retomada este ano.Argumento ? O acesso do Brasil a uma vaga permanente em um Conselho de Segurança reformado, na lógica do Planalto, marcaria a elevação do País a um novo modelo decisório mundial, mais adequado ao cenário atual. A diplomacia brasileira critica a atual composição do conselho ? limitada a Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China ? por considerar que representa a ordem internacional do fim da 2.ª Guerra. A Alemanha, em princípio, segue a mesma lógica.No ano passado, Fernando Henrique assumiu a tarefa de alinhavar o apoio necessário para a elevação do status do Brasil ? não só na ONU, como também num projeto de ampliação do G-8, os grupo dos sete países mais ricos, mais a Rússia. O presidente conversou sobre o tema, reservadamente, com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, com o presidente do Gabinete de ministros da Espanha, José María Aznar, e com o presidente da França, Jacques Chirac. Ao presidente americano, George W. Bush, ele afirmou que o Brasil precisa ter ?uma voz mais ativa no mundo?.Plano de ação ? Boa parte dos interesses políticos comuns dos dois países deve ser mencionada no documento Parceria Brasil-Alemanha, Plano de Ação. O texto será assinado hoje por Fernando Henrique e Schroeder. Ele prevê a criação de um grupo de trabalho para tratar de oportunidades de investimento nas áreas de infra-estrutura, energia, meio ambiente e educação. Também define a formação de um mecanismo de diálogo entre representantes da sociedade civil dos dois países.Além do plano, os dois chefes de Estado assinam hoje memorando de entendimento na área espacial, que envolverá a definição de campos comuns de atuação entre a Agência Espacial Brasileira e o Centro Alemão Aeroespacial. Trata-se de um acordo geral, mas ele pode permitir a futura cooperação tecnológica entre os dois países e o eventual uso pela Alemanha da Base de Lançamento de Satélites de Alcântara, no Maranhão.Fernando Henrique e Schroeder firmarão ainda um acordo de cooperação em projetos de preservação de florestas tropicais, no valor de 66,5 milhões de euros. Atualmente, a Alemanha coopera com o Brasil em vários projetos de proteção da mata atlântica e de manejo da floresta amazônica.Segundo a chancelaria alemã, o acordo a ser assinado hoje destinará recursos para a preservação ambiental nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Em novembro de 2001, a Alemanha já havia acertado com o Brasil um fomento de áreas de reserva natural para a Região Amazônica, para o qual foram destinados 15,3 milhões de euros.

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