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Vai a 21 total de mortos e a 141 o de feridos em Mumbai

Nenhum grupo reivindicou para si a autoria dos três ataques em série; para analista, cidade está vulnerável

AE, Agência Estado

13 de julho de 2011 | 18h43

MUMBAI - Subiu para 21 o número de mortos e para 141 o de feridos após três explosões coordenadas ocorrerem em Mumbai, coração da capital financeira da Índia, nesta quarta-feira, 13.

 

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Trata-se do pior episódio desse tipo no país desde novembro 2008, quando uma série de ataques na mesma cidade deixou 166 mortos. Corpos ensanguentados se espalhavam pelas rua e mercados lotados da cidade. Portas foram arrancadas, motocicletas ficaram carbonizadas e pontos de ônibus ficaram em pedaços. Após as explosões, em três locais diferentes, a polícia estabeleceu postos de checagem e foi colocada em alerta.

 

Os ataques ocorreram meses depois de as conversações de paz entre Índia e Paquistão terem sido retomadas. O governo indiano responsabiliza o Paquistão pelos ataques de 2008. O primeiro-ministro Manmohan Singh condenou as explosões e pediu à população de Mumbai que "permaneça calma e mostre unidade".

 

Em série

 

Os ataques começaram com uma explosão no famoso mercado de joias Bazar Jhaveri, às 18h45. Um minuto depois, outra explosão foi registrada no movimentado bairro comercial de Opera House, alguns quilômetros distante, no sul de Mumbai. Às 19h05, a terceira bomba explodiu no movimentado bairro de Dadar, no centro de Mumbai, segundo a polícia. Em razão do horário próximo das explosões, "supomos que foi um ataque coordenado de terroristas", disse o ministro do Interior Palaniappan Chidambaram.

 

Sobreviventes levavam os feridos em táxis. Um homem foi retirado numa prancha vermelha, usada como maca. Pessoas sujas de sangue foram colocadas na parte de trás de um caminhão de carga que os leva para o hospital, onde as alas estão cheias de feridos.

 

'Socorro, socorro'

 

No Bazar Jhaveri, uma testemunha disse ter visto duas motos explodindo e pelo menos seis mortos. "As pessoas gritavam 'socorro, socorro'", disse o homem a uma emissora de televisão. Multidões se aglomeraram nos locais das explosões enquanto a polícia interrogava testemunhas e investigadores usando luvas procuravam pistas em meio aos escombros.

 

"A Índia não vai se abater", disse o ministro Farooq Abdullah. "Lembramos os autores desses ataques que vamos encontrá-los e se Deus quiser, daremos a eles a justiça na qual a Índia acredita", disse. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques e autoridades indianas se recusaram a especular sobre quem pode estar por trás das explosões.

 

Autoridades indianas acusaram a poderosa agência de espionagem paquistanesa de ter ajudado a coordenar e de ter patrocinado ataques anteriores, entre eles o de 2008. As negociações de paz entre os países foram suspensas após o episódio e só recentemente foram retomadas.

 

Pesar

 

O governo paquistanês expressou pesar pela perda de vidas e pelos feridos assim que as explosões desta quarta-feira foram anunciadas. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também condenou os "ataques ultrajantes".

 

"O povo norte-americano vai apoiar o povo indiano nos momento de provação e vai oferecer seu apoio aos esforços da Índia de levar os autores desses terríveis crimes à Justiça", disse ele em comunicado. "Eu não tenho dúvida de que a Índia vai superar esses deploráveis ataques terroristas."

 

A secretária de Estado Hillary Clinton disse que vai manter os planos de visitar a Índia na semana que vem apesar dos ataques. Apoiar a Índia "é mais importante do que nunca", declarou ela.

 

Vulnerável

 

As explosões marcam o primeiro grande ataque em Mumbai desde que dez militantes realizaram um cerco à cidade durante 60 horas em novembro de 2008. Os alvos daqueles ataques foram dois hotéis de luxo, um centro judaico e uma movimentada estação de ônibus.

 

O analista de defesa C. Uday Bhaskar disse que os ataques mostraram que Mumbai continua vulnerável, apesar das precauções tomadas após os ataques de 2008. "A polícia local não tem capacidade para antecipar tais ataques e isso vai ser um desafio constante", disse ele.

 

Alguns meios de comunicação divulgaram erroneamente que os ataques desta quarta-feira aconteceram no aniversário de Ajmal Kasab, o único atirador sobrevivente dos ataques a Mumbai em 2008. Mas Kasab, que foi condenado à morte, nasceu em 13 de setembro.

 

Tensão

 

Desde os ataques de 2008, a tensão é grande na cidade. Em dezembro, as autoridades enviaram mais policiais para as ruas após receber informações de inteligência de que grupos militantes sediados no Paquistão pretendiam realizar ataques durante o Ano Novo.

 

Em março de 2010, a polícia de Mumbai disse ter evitado um ataque terrorista após prender dois indianos que, segundo os policiais, estavam se preparando para atacar vários alvos na cidade. Em setembro, a polícia emitiu um alerta de terrorismo para a cidade durante um popular festival hindu.

 

No mês passado, a Índia e o Paquistão realizaram suas primeiras negociações sobre a disputada região da Caxemira desde os ataques contra Mumbai em 2008. Os dois países, que têm armas nucleares, reclamam toda a Caxemira e duas das três guerras que travaram foram por conta da posse da região.

 

As informações são da Associated Press

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