AFP PHOTO / JOHN THYS
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'Vai ser uma longa guerra', diz Hollande

Para presidente francês, 'toda a Europa está sob ataque' e uma resposta exigirá uma 'ação global'

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 09h28

"Vai ser uma longa guerra". Foi assim que o presidente da França, François Hollande, descreveu o combate ao terror, horas depois de a Europa ser alvo de mais um ataque, desta vez na Bélgica. Para ele, "toda a Europa está sob ataque" e uma resposta exigirá uma "ação global". 

Nos últimos meses, o terrorismo mudou as prioridades dos governos europeus, manteve sociedades e autoridades em estado de alerta. Mas quando o barulho das ambulâncias voltou a fazer parte de uma capital europeia, a constatação também foi a de que continuam as falhas nos sistemas de informação da Europa e na falta de cooperação no compartilhamento de inteligência.

Desde os ataques em Paris em novembro, organizados a partir de Bruxelas, um total de 54 pessoas foram detidas e 11 ainda estão presos. Mas Bruxelas não estava nem mesmo em um estado de alerta máximo quando os ataques desta terça-feira, 22, ocorreram. 

O que também assustou as autoridade foi a rapidez com a qual uma unidade terrorista reagiu, depois que um dos suspeitos mais procurados pelos ataques em Paris, Salah Abdelsalam, foi capturado em Bruxelas. O ataque coloca nova pressão sobre o governo belga que, na sexta-feira, comemorava a prisão do suspeito e o fato de o terrorista estar "colaborando". 

"O que temíamos aconteceu", disse nesta manhã o primeiro-ministro belga, Charles Michel. "Vivemos um momento negro e pedimos solidariedade", afirmou. "Estamos vivendo um momento difícil e precisamos de união. Mas estamos determinados a lidar com a situação", insistiu. Redes de televisão da Bélgica chegaram a informar que a família real havia sido evacuada do local onde estava.  

Desde janeiro de 2015, já são mais de 160 vítimas na Europa de ataques terroristas e, para a polícia da Grã-Bretanha, o risco é de que esse número aumente. Para as autoridades em Londres, um ataque é ainda "altamente provável". 

Reagindo aos ataques, porém, grupos nacionalistas já fizeram questão de reforçar suas posições. O Ukip, partido inglês, atacou as políticas de imigração da Europa. "Os ataques mostram que o livre movimento pelas fronteiras é uma ameaça para a nossa segurança", indicou Mike Hookem.

Falando para a Fox News, Donald Trump insistiu que os governos precisam "fechar nossas fronteiras". Hollande, porém, pediu que os governos sejam "lúcidos e calmos".

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