Vala com 15 corpos é achada na Argentina

Vítimas são guerrilheiros de esquerda capturados pela ditadura, diz Justiça do país

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h07

Os corpos de 15 vítimas da ditadura militar argentina (1976-1983) foram encontrados em uma vala comum na Província de Tucumán, no norte do país, anunciou ontem a Justiça argentina. Os restos mortais estavam em um antigo depósito de armas do Exército. Uma equipe de antropologia forense vasculhava o local a pedido do juiz Daniel Bejas, que investiga violações dos direitos humanas ocorridas na província durante o regime de exceção.

Os primeiros indícios mostram que as vítimas foram torturadas, esquartejadas e tiveram seus corpos queimados. O quartel no qual foram achados os restos funcionou como campo de concentração e extermínio em 1975 da chamada "Operação Independência".

Esses militares combatiam guerrilheiros de esquerda do Exército Revolucionário do Povo (ERP), que atuavam em Tucumán. Ainda de acordo com os peritos, algumas vítimas foram mortas na vala. Depois da execução, ela foi incendiada.

Entre as vítimas, está o ex-senador provincial Guillermo Vargas Aignasse. A identificação foi feita por meio de exames de DNA. "Os corpos estavam dispostos da forma como caíram na vala. Havia rastros de combustão neles", informou a Justiça, em comunicado. De acordo com o juiz, há evidências para indiciar os suspeitos por homicídio e ocultação de cadáver, realizada "com o intuito de garantir a impunidade dos criminosos."

Greve. Cerca de cem policiais da Província de Buenos Aires cruzaram os braços ontem em protesto pelo afastamento de seis oficiais que enfrentaram há dois dias uma manifestação de militantes peronistas favoráveis à presidente Cristina Kirchner.

A confusão ocorreu durante a posse do governador da província, Daniel Scioli. Os policiais trocaram agressões com militantes da La Cámpora, facção de estudantes peronistas criada pelo filho da presidente, Máximo Kirchner. Os oficiais grevistas declararam-se rebeldes e não saíram às ruas. Eles estão aquartelados na sede da polícia, em La Plata.

Em comunicado, o governador, aliado da presidente, defendeu o afastamento dos oficiais. "Não vou tolerar nenhuma ação da força pública contra militantes políticos", afirmou.

Em entrevista ao canal Todo Notícias, o capitão Walter Rebolero, um dos oficiais afastados, defendeu a reintegração dos oficiais e a ação deles na posse. "Cumprimos as ordens de cuidar do governador", afirmou. "Tínhamos sido orientados a não deixar mais ninguém entrar no Parlamento provincial para evitar um acidente." / AP

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