Vala comum recebe vítimas de massacre do Burundi

Helicópteros militares sobrevoam as centenas de pessoas reunidas numa plantação de algodão para sepultar, em vala comum, as 162 vítimas de um massacre de refugiados congoleses da etnia tutsi. Extremistas invadiram um campo mantido pela ONU, no final de semana, e perpetraram o assassinato em massa.Usando máscaras faciais para afastar o forte cheiro de corpos em decomposição, sobreviventes, parentes e funcionários de ajuda humanitária baixaram os corpos. O presidente de Burundi, Domitien Ndayizeye, e o vice-presidente do Congo, Azarias Ruberwa, assistiam.Um sobrevivente narrou o ataque de sexta-feira à noite, dizendo que foi acordado pelo som dos invasores, da etnia hutu, tocando tambores e gritando que matariam todos os tutsis do Congo.Os povos tutsi e hutu lutam pela supremacia em três nações da África - Ruanda, Congo e Burundi. O conflito causou o genocídio de 1994 em Ruanda, quando 500.000 pessoas, entre tutsis e hutus moderados, foram mortas. No Burundi, as duas etnias se enfrentam numa guerra civil ainda em curso.Após o massacre, tropas de Burundi fecharam a fronteira com o Congo. Um grupo de rebeldes hutus de Burundi, baseados na região da fronteira, reivindicou a responsabilidade pelo ataque aos refugiados de Gatumba. Um porta-voz das Forças de Libertação Nacional disse que soldados e milicianos estavam escondidos entre os refugiados. Mas a maioria das vítimas do massacre parece composta de mulheres e crianças.

Agencia Estado,

16 de agosto de 2004 | 15h35

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