Vale até passar por gay para fugir da guerra civil

O velho machismo latino desaparece quando o assunto é serviço militar na Colômbia e formas de evitar o alistamento em meio à guerra civil vivida pelo país. "Sou gay e não posso viver em uma comunidade masculina, pois estou envolvido num relacionamento sério com meu namorado e ele depende de mim economicamente", justificou um jovem para a banca de recrutamento militar. Cirurgias estéticas no nariz e no peito, inclusive implantes de silicone, além de falsas apendicites, fraturas e desequilíbrios mentais - com direito a dramáticas "demonstrações" de loucura perante os médicos -, são alguns dos artifícios usados pelos jovens colombianos para evitar o alistamento. Na Colômbia, o que surpreende não é apenas a "criatividade" das justificativas usadas para fugir do serviço militar. Também impressiona o número de pessoas dispostas a usá-las. De acordo com a Direção de Recrutamento do Exército, de cada dez jovens com idade para o serviço militar, quatro tentam alguma espécie de golpe para evitar a convocação. "Os rapazes chegam com certificados médicos sustentados por especialistas, com as doenças mais estranhas. Em um dia de recrutamento é impossível constatar se as alegações são verdadeiras ou não", diz o coronel Víctor Julio Burgos, subdiretor de recrutamento. "Um dos jovens amputou a ponta de um dos dedos da mão direita. Dois dias antes da apresentação, outro pediu a extração de três de seus dentes, e o pior de todos se contorceu de tal maneira que conseguiu deslocar a clavícula." Ao acompanhar um dia de recrutamento, o jornal El Tiempo constatou que, de 180 jovens, 103 apresentaram atestados pedindo liberação, apenas quatro dos quais justificados. O esquema é usado principalmente pelos que têm dinheiro para pagar atestados. Os pobres acabam sendo alistados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.