Valores venceram a eleição nos EUA, não a demografia

Análise: Joel Benenson / NYT

É PRESIDENTE DO BENENSON STRATEGY GROUP, FOI CHEFE DA EQUIPE DE PESQUISAS DE OPINIÃO NAS CAMPANHAS DE BARACK OBAMA EM 2008, 2012 , O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h04

Análises sobre o impacto das minorias, mulheres e jovens eleitores na vitória de Barack Obama omitiram o aspecto real do triunfo democrata. Os contornos da disputa presidencial de 2012 foram traçados menos pela demografia, que vem mudando no país, e mais pelas atitudes e valores fundamentais, bem mais complexos do que parecem.

A vitória do presidente foi um triunfo de visão. Ele venceu porque expressou uma série de valores que definem um país em que todos gostaríamos de viver: uma nação que faz os investimentos que necessitamos para fortalecer e fazer crescer a classe média. Uma nação com um sistema fiscal justo e uma educação excelente e acessível para todos os seus cidadãos. Uma nação que crê que conseguiremos progredir quando reconhecermos que estamos todos no mesmo barco.

Desde os primeiros dias da campanha, os analistas se concentraram em parâmetros políticos, econômicos e históricos para explicar o caminho difícil que Obama enfrentaria na sua disputa pela reeleição: nenhum presidente foi reeleito com uma taxa de desemprego tão alta quanto 7,2% ou com o índice de confiança do consumidor de Michigan abaixo de 78%.

Esses indicadores convencionais não captaram a mentalidade do povo americano, que sempre teve uma visão mais ampla da situação econômica do país e daquilo que ocorreu em suas vidas. Uma pesquisa nacional com 800 eleitores confirmou que uma nítida maioria colocou a eleição no contexto da escala da crise econômica que enfrentamos e da recessão que se seguiu.

Dois elementos-chave mostram porque os americanos sempre estiveram muito mais abertos às mensagens e realizações do presidente Obama do que os comentaristas imaginavam. Numa margem de três para um (74% contra 23%), os eleitores disseram que o país enfrentou, desde 2008, "uma crise extraordinária, a mais severa que já se observou em décadas", e não uma "típica recessão que o país enfrenta regularmente".

Ao mesmo tempo, 57% disseram acreditar que os problemas que enfrentamos após a crise eram "muito difíceis para qualquer pessoa resolver num único mandato", ao passo que, para quatro em cada dez eleitores, um outro presidente conseguiria fazer mais do que Obama para a economia se recuperar mais rápido nos últimos quatro anos.

O presidente Obama ofereceu aos americanos uma visão clara e progressista, concentrada na criação de um futuro mais seguro, mais sólido para os americanos médios e seus filhos, com base em investimentos que precisamos como país e uma abordagem equilibrada dos problemas fiscais, como impostos e a redução do déficit.

Apenas um corte de despesas não resolverá as preocupações do eleitor - 89% dos entrevistados concordaram que, "para meus filhos terem as oportunidades econômicas que eu tive, precisamos fazer investimentos reais na educação, criar escolas de altíssimo nível e tornar a faculdade mais acessível".

Esta foi uma eleição pioneira. Os americanos decidiram corroborar um conjunto de valores e de princípios e uma agenda que irá promover esses valores e princípios que propiciarão a recuperação econômica, mas também trarão de volta as oportunidades e a segurança que os EUA durante muito tempo ofereceram para a classe média e para aqueles que trabalham para ingressar nela.

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