EFE/David Armengou
EFE/David Armengou

Atentado con van deixa 13 mortos e mais de 100 feridos em Barcelona; EI assume autoria

Ação atinge um dos pontos turísticos mais frequentados da Europa; polícia detém dois suspeitos, mas motorista está foragido; segundo ataque é frustrado pelas autoridades na cidade de Cambrils

Andrei Netto, correspondente / Paris e Giovana Girardi, Barcelona, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2017 | 12h29
Atualizado 17 Agosto 2017 | 22h12

A Europa voltou a viver nesta quinta-feira o pesadelo da violência terrorista, desta vez na Espanha. Um motorista avançou contra a multidão em uma avenida do centro de Barcelona, na Catalunha, deixando pelo menos 13 mortos e mais de 100 feridos, dos quais pelo menos 15 em estado grave. O atentado foi reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI). As primeiras investigações indicam uma ação coordenada de uma célula terrorista em solo espanhol.

Uma van, alugada em nome de homem de origem árabe, invadiu o calçadão Las Ramblas de Barcelona, por onde passam centenas de milhares de espanhóis e estrangeiros todos os dias. Ao longo de 530 metros, pedestres foram sendo atropelados. 

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Imagens registradas com telefone celular por turistas e postadas em redes sociais mostraram vários corpos de feridos, incluindo crianças e bebês, caídas na área reservada aos pedestres. A região é uma das mais movimentadas da Europa nessa época do ano, no verão, quando a cidade recebe milhões de turistas.

A polícia catalã anunciou que impediu um novo ataque com várias vítimas e abateu na madrugada local de hoje quatro homens que, segundo os agentes, pretendiam repetir na cidade de Cambrils, Tarragona, um grande atropelamento. Cinco pessoas ficaram feridas durante a operação, mas a polícia não esclareceu as circunstâncias. Os homens levavam cinturões-bomba e estavam armados. Não estava claro se havia relação direta entre os dois episódios.

Até o início da madrugada, o motorista da van continuava foragido. Supostamente armado, ele foi visto correndo pelo centro da cidade. “Eu tinha acabado de voltar para casa quando aconteceu. Estava a caminho das Ramblas quando mudei de ideia e fui em direção ao (bairro de) Born. Está um horror por aqui, com gente gritando e correndo por todos os lados embaixo de casa”, disse ao Estado J.S., anglo-brasileira que vive no Bairro Gótico, a poucos metros do local.

A jovem vivia em Paris e morava na região do Bataclan, casa de shows atacada por terroristas islâmicos em novembro de 2015. Nesta quinta-feira, ela voltou a viver o pesadelo do terrorismo. “A polícia está em pânico, gritando para todo mundo aqui em Portal del Angel. Estão correndo atrás deles por todas as partes.” 

 Ao jornal El País, Albert Tort, enfermeiro de 47 anos, também morador do bairro, contou que, em meio ao caos, foi barrado pela polícia, até provar que era enfermeiro e passar a prestar socorro às vítimas. “A polícia não me deixava passar, mas eu disse que era enfermeiro e então pude me aproximar”, disse. “Vi uma verdadeira catástrofe. Contei ao menos seis mortos, tentei reanimar um jovem, mas foi impossível.”

Durante a noite, uma ampla área do centro de Barcelona foi bloqueada pelas autoridades. Redes de metrô e linhas de ônibus foram interrompidas, o comércio foi fechado e o acesso aos bairros centrais foi fechado.

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque em um comunicado divulgado por seu site Amaq, seu órgão de propaganda. “Os autores do ataque de Barcelona são soldados do EI e conduziram uma operação em resposta aos apelos para atingir os países que são membros da coalizão”, diz o texto distribuído pelo grupo terrorista. 

Para Chems Akrouf, especialista francês em inteligência, o fato de o agressor ter fugido sem disparar contra a população civil é um indicativo de que o ataque seja menos organizado do que se imagina. “O que me chama a atenção é que não houve tiroteio no momento em que o veículo parou. Não houve uma segunda fase do ataque, o que talvez queira dizer que não houve uma grande organização para ampliar ainda mais o número de vítimas com armas de grosso calibre”, explicou.

Em declaração no início da madrugada, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, prometeu esclarecer as circunstâncias e perseguir os responsáveis pelo ataque. Ele pediu ainda unidade ao país na luta contra o terror, que voltou a atingir a Espanha depois de 13 anos. “Terroristas são vencidos com unidade”, disse. 

 

Nas horas seguintes ao atentado, turistas ainda se aglomeravam com sacolas e malas diante dos bloqueios nas Ramblas. Sem poder entrar nos hotéis do perímetro, eles esperavam para voltar aos seus quartos. Ali estavam centenas de ingleses, americanos, alemães, italianos, franceses, japoneses, chineses. Assustados, cansados, procuravam alguma explicação.

Um grupo de sete brasileiros que mora na Suíça aguardava sentado no chão. “Tínhamos chegado ao final das Ramblas quando aconteceu. Não pegou a gente por pouco”, contou Patricia Viana, gerente administrativa, enquanto sua amiga, Gisele de Oliveira, mostrava um vídeo que um outro amigo tinha mandado de mortos e feridos. “Foi um horror, um horror”, disse. 

O brasileiro Fernando Camargo, publicitário disse que estava em uma loja de departamentos na Praça Catalunha, que fica bem perto das Ramblas, por volta das 17 horas. "Comecei a ver um monte de pessoas correndo, dizendo terem ouvido tiros e chorando, desesperadas. A princípio, os funcionários da loja não queriam deixar ninguém sair. Quando eles nos liberaram, eu larguei tudo e saí. Foi uma situação desesperadora porque ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo. Quando parece que finalmente vai ficar tudo bem, você vê a galera correndo, o coração dispara, a adrenalina sobe e você só reza pra ficar tudo bem."

 

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