Van Rompuy alerta Cameron sobre referendo

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, advertiu na quinta-feira o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, de que outros líderes europeus parecem ambivalentes sobre o plano do britânico sobre renegociar o relacionamento do país com a União Europeia e sobre realizar um referendo sobre a participação britânica no bloco de 27 países.

AE, Agência Estado

01 de março de 2013 | 02h45

Falando em uma conferência em Londres sobre o futuro da UE, Van Rompuy disse que as tentativas do Reino Unido para redefinir sua participação e realizar um referendo sobre a possibilidade de se manter no bloco após a próxima eleição geral do Reino Unido, que deve acontecer em 2015, não passaram despercebidas por outros líderes europeus, dizendo que os líderes não " gostam particularmente ", nem "o temem particularmente".

O presidente disse que a renegociação da relação britânica com a UE não é apenas uma questão de Londres e Bruxelas, alegando que isso impactará a relação que o Reino Unido tem com os outros 26 membros do bloco. Ele também, aparentemente, questionou o compromisso do Reino Unido com a reforma da UE, dado que Cameron prometeu um referendo.

"Como convencer um quarto cheio de pessoas quando você mantém a sua mão sobre a maçaneta da porta?", perguntou ele. "Como incentivar um amigo a mudar se os seus olhos estão procurando o seu casaco?"

Durante seu discurso, Van Rompuy também destacou as dificuldades práticas de sair da UE, caso os britânicos votem pela saída do bloco no referendo.

"Não é apenas uma questão de sair. Legalmente e politicamente, isso seria um assunto mais complicado e pouco prático", disse ele. "Basta pensar em um divórcio após 40 anos de casamento. Sair é um ato de livre vontade e perfeitamente legítimo, mas não vem de graça".

Cameron expôs a sua visão para mudar a relação do Reino Unido com a Europa em um grande discurso no início deste ano, alegando que o governo poderia usar quaisquer alterações aos Tratados da UE provocados pela crise da zona do euro para renegociar os interesses da Reino Unido e tomar de volta os poderes que tenham sido perdidos para Bruxelas.

No entanto, Van Rompuy disse que as mudanças no Tratado não foram uma prioridade para a UE.

"O trabalho futuro é fundamental, mas não vejo nenhuma necessidade iminente de alterar os tratados da União Europeia para isso. Nem há muito apetite entre os líderes ao redor da mesa para isso", disse ele.

Van Rompuy também falou sobre os benefícios para o Reino Unido de permanecer na UE, salientando as fortes ligações comerciais do país com o bloco e os benefícios do mercado único. "Para um país como o Reino Unido fazer ouvir a sua voz no mundo, a Europa não funciona como um amortecedor, mas como um megafone", disse ele.

A maior parte do discurso de Van Rompuy foi gasto tratando da promessa de Cameron para renegociar a adesão do Reino Unido na UE. No entanto, ele também falou sobre as perspectivas para a zona do euro, dizendo que o pior da crise já passou, mas disse que não descarta ainda choques posteriores. As informações são da Dow Jones.

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