Vantagem ampla dá a Sharif chance de formar governo forte no Paquistão

Mesmo sem a confirmação oficial de sua vitória na eleição de sábado, o ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif usou ontem a ampla vantagem dada a seu partido em todas as apurações parciais para começar a formação de um governo. A tendência é que seu partido, a Liga Muçulmana, se aproxime das 137 cadeiras que lhe dariam maioria no Congresso. Isso permitiria aprovar reformas com apoios pontuais.

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2013 | 02h04

"Ele não terá qualquer problema para formar o novo governo. Isso está muito claro", disse ao Washington Post Hasan Askari Rizvi, analista político com base em Lahore, reduto eleitoral de Sharif. Apesar da confiança depositada em seu grupo político, há dúvidas sobre a posição de Sharif a respeito do violento extremismo islâmico no país. Os críticos acusam o seu partido, de linha islâmica, de não ter se mostrado suficientemente firme com os radicais por não ter reprimido os grupos militantes em seu reduto, na Província do Punjab.

Essa deverá ser uma preocupação para os EUA, que pressionam o Paquistão para que mostre um pulso mais forte contra vários grupos militantes islâmicos, principalmente os combatentes que realizam ataques do outro lado da fronteira contra tropas americanas no Afeganistão. Osama bin Laden ficou 5 anos no Paquistão, até ser morto por soldados americanos, sem consulta ao governo paquistanês, em maio de 2011.

Composição. O partido de Sharif, de 63 anos, sai da eleição muito mais forte do que o Partido Popular do Paquistão (PPP), que está deixando o poder e governou por cinco anos com uma frágil coalizão. Na opinião dos eleitores, o PPP fez pouco na área econômica. "Qualquer coisa é melhor do que zero, e você já terá melhorado o desempenho em relação ao do PPP em termos de gestão da economia", disse Cyril Almeida, colunista do jornal paquistanês Dawn.

O partido governista foi derrotado de forma contundente. Conforme as últimas apurações, o grupo de Sharif estava à frente com 127 cadeiras, segundo a TV estatal. O PPP tinha 32 cadeiras, uma queda considerável em relação às 91 obtidas nas eleições de 2008. O partido de Imran Khan, que ontem reclamou de em fraudes durante a votação, tinha 30 cadeiras. Os candidatos independentes obtiveram mais de 20, e historicamente costumam unir-se ao partido que forma o governo.

O Paquistão sofre com a crescente crise de energia e algumas áreas registram apagões de até 18 horas por dia. O problema afeta profundamente a economia, o que provocou uma queda do crescimento para menos de 4% ao ano. O país precisa crescer o dobro a fim de produzir empregos para uma população de 180 milhões. Sharif, filho de um rico industrial, tem forte apoio da classe empresarial. Acredita-se que ele pressionará para estabelecer melhores relações com o principal rival do Paquistão, a vizinha Índia.

Por duas vezes primeiro-ministro, Sharif foi derrubado em 1999 num golpe do então chefe das Forças Armadas general Pervez Musharraf, e condenado ao exílio na Arábia Saudita.

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