"Vantagem de Lula é uma mensagem de descontentamento do Brasil", afirma o NYT

O jornal The New York Times, ao comentar hoje em editorial a grande vantagem obtida por Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, disse que o governo norte-americano "precisa prestar atenção na mensagem entregue pelos eleitores brasileiros" no domingo passado. Segundo o diário, o desempenho do candidato do PT é ?uma mensagem de descontentamento do País?. O jornal norte-americano defendeu ainda que "para que prevaleçam as reformas pró-mercado na América Latina precisam ser feitos mais esforços para estender os seus benefícios além da pequena elite, atingindo as dezenas de milhões de pessoas que Lula atraiu". "Uma maioria empobrecida como essa colocou Hugo Chávez no poder na Venezuela e parece que será uma grande força na eleição presidencial da Argentina no próximo ano."O jornal fez questão, no entanto, de ressaltar que Lula, diferente de Chávez, é um homem comprometido com a democracia e que passou décadas construindo um partido político em nível nacional.Segundo o diário, um eventual sucesso de Lula no segundo turno não irá agradar o governo de George W. Bush, nem os investidores internacionais ou a comunidade empresarial brasileira. "Embora Lula tenha moderado seu radicalismo do passado, sua campanha deixou clara a sua contínua oposição a várias das reformas econômicas apoiadas pelos Estados Unidos que o Brasil promoveu nos últimos anos bem como a sua forte discordância com as políticas de Washington em relação a Cuba e Colômbia."O jornal afirma que o presidente Fernando Henrique Cardoso "compilou uma histórico de credibilidade, promovendo reformas econômicas necessárias e fortalecendo a democracia brasileira", mas o seu candidato, José Serra, foi prejudicado "pela atual performance negativa da economia e o seu próprio estilo rijo de campanha"."O Brasil é uma terra de desigualdades severas que o próximo presidente terá que despender mais esforços para combater. Um abandono muito forte das ortodoxias econômicas, entretanto, tem o risco de afugentar investidores e doadores, deixando os cidadãos mais pobres do país mergulhados ainda mais fundo na miséria", diz o NYT.

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