Vargas Llosa propõe sanções contra TVs peruanas

O premiado escritor peruano Mario Vargas Llosa abriu nesta terça-feira um debate público ao sugerir que os dois canais de televisão mais poderosos do Peru sejam sancionados com a perda das concessões por terem se "vendido" ao regime do ex-presidente Fujimori por milhões de dólares. A proposta provoca confronto entre o escritor e o filho, Alvaro Vargas Llosa, que, falando de Miami, disse que cassar a licença de funcionamento desses canais seria "causar um embaraço inqualificável à liberdade de expressão". Além disso, Vargas Llosa filho acusou o governo de Alejandro Toledo de tentar apoderar-se da América Televisión, Canal 4, e da Panamericana Televisión, Canal 5. O escritor esclareceu que é contra a intervenção governamental contra os meios de comunicação, mas, disse, é preciso encontrar fórmulas transparentes para passar as concessões dos canais 4 e 5 para a sociedade civil ou para empresas privadas. Em sua opinião, esses canais devem ser sancionados por terem servido à "máfia instaurada no Peru durante o governo autoritário de Alberto Fujimori e seu ex-assessor Vladimiro Montesinos". Aos olhos de muitos peruanos, os dois canais ficaram desprestigiados quando vídeos encontrados em posse de Montesinos mostraram como o ex-assessor de inteligência entregou centenas de milhares de dólares aos proprietários das televisões em troca de uma linha de informação favorável ao governo. José Francisco e José Enrique Crousillat, proprietários do Canal 4, estão foragidos, enquanto Ernesto Shultz, dono do Canal 5, foi detido na Argentina, e atualmente as autoridades peruanas estão tentando extraditá-lo.

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