Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Vargas Llosa qualifica chavismo de ‘catástrofe’

Em Caracas, escritor peruano mostra ceticismo em relação a diálogo entre governo e oposição e critica política econômica do governo

O Estado de S. Paulo,

24 de abril de 2014 | 23h54

CARACAS - Ao mesmo tempo em que o governo e a oposição da Venezuela abriam a terceira rodada de um diálogo de conciliação, o Nobel de Literatura peruano, Mario Vargas Llosa, declarou na quinta-feira, 24, em Caracas, que a negociação deve ser "autêntica" e buscar a pacificação da sociedade venezuelana.

Convidado para um fórum sobre liberdade econômica, Vargas Llosa criticou a possibilidade de as reuniões serem um pretexto para que o governo ganhe tempo ante os protestos que, desde fevereiro, deixaram 41 mortos.

"O diálogo deve buscar fórmulas para pacificar o país. Mas eu só acredito que isso seja possível por meio da correção de medidas básicas para evitar, por exemplo, a escassez", afirmou Vargas Llosa.

O escritor peruano disse também que os venezuelanos se equivocaram, 15 anos atrás, ao apoiar Hugo Chávez e seu "modelo fracassado" que criou uma "catástrofe econômica" no país. Crítico dos governos de esquerda na América Latina, Vargas Llosa afirmou, porém, que suas declarações políticas não têm a intenção de serem provocadoras.

"Estão causando enorme dano a um país que eu gosto muito. Não venho provocar a Venezuela. Eu tenho muita pena que aqui não seja o país mais rico da América Latina e não tenha os níveis de vida da Suíça ou da Suécia", declarou o escritor peruano.

Diálogo

Nesta quinta, governo e oposição decidiram criar grupos de trabalho para avançar na agenda de paz e superar a crise política. Durante a terceira reunião entre as partes, em Caracas, os temas de pelo menos duas comissões foram definidos: uma possível anistia para os envolvidos nas situações de violência e uma comissão da verdade para investigar denúncias de tortura.

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela emitiu também sentença determinando que o direito de manifestação, previsto na Constituição venezuelana, "não é absoluto".

A decisão foi tomada por unanimidade e ocorre às vésperas de uma passeata de estudantes marcada para amanhã em Caracas. Os líderes estudantis prometeram marchar pelas ruas do centro da capital mesmo que o prefeito Jorge Rodríguez não dê autorização. / AFP e AP

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