(Ji Chunpeng/Xinhua via AP)
(Ji Chunpeng/Xinhua via AP)

Variante Delta chega a Wuhan, enquanto desencadeia alta nas hospitalizações nos EUA

O vírus está de volta, impulsionado por taxas de vacinação estagnadas e novas cepas, mesmo em países que pensavam ter superado o pior da pandemia

Jing Xuan Teng/AFP, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 08h00

PEQUIM - A cidade chinesa de Wuhan, berço da covid-19, anunciou nesta terça-feira, 3, testes em massa para a variante Delta, altamente contagiosa, que está causando confinamentos em todo o mundo e desencadeando hospitalizações nos Estados Unidos.

O vírus está fazendo um forte retorno, impulsionado por taxas de vacinação estagnadas e novas variantes, mesmo em países como a China, que pensava ter superado o pior da pandemia.

O gigante asiático havia conseguido reduzir os casos locais a praticamente zero, permitindo a recuperação da economia e o retorno da vida em grande parte ao normal.  

Mas um novo surto da variante Delta, que tem rápida propagação, espalhou-se por dezenas de cidades a partir de um caso entre limpadores de aeroportos em Nanjing, desencadeando uma série de casos de âmbito nacional. 

Em Wuhan — onde o vírus apareceu pela primeira vez em dezembro de 2019 e que passou por um duro confinamento nos primeiros meses da pandemia — as autoridades anunciaram um programa de testes em massa para todos os 11 milhões de habitantes. 

E em toda a China, as autoridades têm confinado cidades inteiras, cortado, inclusive, linhas de transporte, e estão realizando milhões de testes para combater o maior surto de coronavírus em meses.

Na Austrália, milhões de pessoas também estão impedidas de sair de casa. Na segunda-feira, 2, as tropas tomaram as ruas da maior cidade do país, Sydney, que está entrando na sexta semana do confinamento que vai durar até o final de agosto.

As autoridades municipais estão lutando para impedir a propagação da variante Delta na cidade, com mais de 3.600 casos relatados desde meados de junho, e estão tentando garantir que os residentes cumpram o bloqueio. 

Com cerca de 15% dos 25 milhões de australianos totalmente vacinados, as autoridades ainda dependem do lockdown para conter o vírus. 

Hospitalizações nos Estados Unidos 

O vírus está se espalhando mesmo em lugares onde os programas de vacinação foram bem sucedidos, como os Estados Unidos, que está passando por uma nova onda impulsionada pela variante indiana, que elevou as hospitalizações a níveis não vistos desde o ano passado.

Na segunda-feira, o país alcançou — com um mês de atraso — a meta do presidente Joe Biden de dar pelo menos uma dose a 70% dos adultos.

Este atraso, combinado com a propagação da variante Delta, fez com que o número médio de casos diários subisse para mais de 70.000.

"Estes casos estão concentrados em comunidades com taxas de vacinação mais baixas", disse Jeff Zients, coordenador da pandemia da Casa Branca. 

"Um em cada três casos em todo o país foi relatado na Flórida e no Texas na última semana", acrescentou ele. 

A queda nas taxas de vacinação foi registrada nas regiões politicamente conservadoras do Sul e Centro-Oeste, assim como entre as pessoas mais jovens ou de baixa renda e entre as minorias raciais.

Diante da Delta, outros países estão começando a considerar vacinas de reforço, que algumas empresas farmacêuticas dizem que poderiam melhorar a imunidade frente às cepas mais infecciosas do vírus.

A Alemanha disse que na segunda-feira começaria a oferecer terceiras doses a pessoas idosas e de grupos de risco, citando preocupações sobre "uma resposta imune reduzida ou em rápido declínio" entre algumas pessoas. 

Uma vacina impulsionadora também será oferecida àqueles que receberam as duas doses da AstraZeneca ou a dose única da Johnson & Johnson, de acordo com um documento publicado pelo Ministério da Saúde alemão, "no interesse do cuidado preventivo da saúde".

 

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