EFE/EPA/ANDY RAIN
EFE/EPA/ANDY RAIN

Variante Ômicron leva a recordes de novos casos diários da covid e provoca caos em aeroportos

França e Reino Unido superaram nos últimos dias a marca de 100 mil casos diários, enquanto EUA passaram de 200 mil

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2021 | 12h39
Atualizado 27 de dezembro de 2021 | 20h53

WASHINGTON - O avanço da variante Ômicron do novo coronavírus no Hemisfério Norte levou diversos países a bater recorde de contágios de covid-19 no feriado de Natal e mobilizou governos de Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e Grécia a planejar novas medidas para tentar conter o vírus.

Em paralelo, o cancelamento de voos provocado pelo contágio de equipes de comissários, pilotos e pessoal de apoio em aeroportos ainda afeta o transporte aéreo nesses países, com mais de 2,6 mil viagens suspensas somente nesta segunda-feira, 27, mil delas nos EUA. 

A Europa é a região do mundo com mais casos registrados nos últimos sete dias, com 2.901.073 (55% do total mundial), e o maior número de mortos – 24.287 em uma semana (53% do total), seguida de EUA/Canadá (10.269 mortos, 22%). 

A França e o Reino Unido superaram nos últimos dias a marca de 100 mil casos diários, enquanto os EUA – onde a Ômicron é responsável por 70% dos casos – passaram de 200 mil, um aumento de 65% nos últimos 14 dias. 

Outros recordes de contágio foram batidos também na Irlanda, Itália, Austrália, Dinamarca e Grécia. Autoridades americanas temem que o número de casos ultrapasse 1 milhão por dia, um número quatro vezes maior do que o pior momento da pandemia no país até agora. 

O presidente americano, Joe Biden, disse nesta segunda-feira que os próximos passos no combate ao coronavírus devem ser dados a nível estadual e prometeu o total apoio do governo federal aos Estados que estão enfrentando mais casos de covid em razão da Ômicron. Ele também admitiu que é preciso fazer mais para que os americanos tenham acesso aos testes de covid depois que eles se esgotaram na maioria das farmácias antes do Natal.

Ao mesmo tempo, o presidente disse que não há razão para pânico: a Ômicron não terá o mesmo impacto da primeira onda da covid-19, há um ano, ou da variante Delta, este ano, previu, devido à campanha de vacinação e aos testes maciços. "Não vemos que as hospitalizações aumentem tanto" quanto antes, afirmou Biden - 72% da população americana recebeu pelo menos uma dose da vacina.

Nos EUA, as autoridades sanitárias anunciaram nesta segunda-feira a redução à metade do tempo de isolamento recomendado para as pessoas positivas para a covid-19 assintomáticas, diminuindo-o para cinco dias.

O infectologista Anthony Fauci, assessor do governo, mais uma vez levantou a possibilidade da exigência de vacinação para viagens aéreas domésticas e alertou as pessoas a ficarem longe das festas de ano-novo lotadas. 

A situação se agrava também na Europa, onde a França anunciou nesta segunda-feira novas medidas de restrição depois de ter ultrapassado 100 mil casos por dia. O governo francês determinou que as empresas imponham pelo menos três dias de trabalho remoto sempre que possível, disse o primeiro-ministro Jean Castex

Castex também disse que o passaporte sanitário que permite acessar restaurantes, cinemas e outros lugares só estará disponível para as pessoas totalmente vacinadas e que para os não vacinados não será mais válido um teste de covid-19 negativo recente.

Ainda segundo o premiê, será proibida a permanência em pé em cafés e bares, mas não haverá toque de recolher para a noite do ano-novo, como vários veículos de comunicação franceses tinham sugerido.

Protestos

A Alemanha decidiu limitar atividades públicas e privadas para deter o avanço da Ômicron, mesmo com uma tendência de queda nos contágios para os próximos dias. Oito pessoas foram presas nesta segunda-feira no sul da Alemanha depois de um violento protesto dos opositores às restrições e às vacinações contra o coronavírus.

As autoridades começam a implementar as restrições acertadas na semana passada para conter a propagação da Ômicron. Mais quatro Estados introduziram restrições, que incluem limitar o número de pessoas em reuniões privadas a 10. A Alemanha continua tendo uma das taxas mais baixas de vacinação da Europa Ocidental, 70,8%. 

A Itália decidiu antecipar o prazo da dose de reforço para quatro meses. O país, que tem 74% de sua população vacinada, registrou no dia de Natal mais de 54 mil casos. 

Na Grécia, as restrições voltadas principalmente para locais de entretenimento noturno entrarão em vigor entre 3 e 16 de janeiro, com os casos recém confirmados atingindo um recorde de 9.284 nesta segunda-feira, além de 66 mortes. Com as medidas, máscaras de alta proteção serão obrigatórias em supermercados, transportes públicos e estabelecimentos de alimentação. Bares e restaurantes terão de fechar à meia-noite.

Voos cancelados

O tráfego aéreo também continuou a sofrer transtornos no início da semana com, até esta segunda-feira, 2,5 mil voos cancelados, segundo dados atualizados do site de vigilância aérea FlightAware. No fim de semana de Natal, além do cancelamento de 8,3 mil conexões aéreas internacionais e domésticas, dezenas de milhares de voos sofreram atrasos.

Companhias aéreas como Lufthansa, Delta, United Airlines, Alaska Airlines, JetBlue ou British Airways cancelaram viagens porque a pandemia provocou uma escassez de pilotos e outros integrantes da tripulação dos aviões, que precisaram cumprir quarentena após contatos com pessoas com covid-19.   

As condições climáticas também afetaram os voos nos EUA: nevascas na região oeste complicaram ainda mais uma situação já caótica.

Já as companhias aéreas chinesas, como a China Eastern e a Air China, cancelaram 2 mil voos no fim de semana, incluindo vários que passavam pela cidade de Xi'an, onde os 13 milhões de habitantes estão em confinamento e só podem sair uma vez a cada três dias para comprar alimentos. Desde esta segunda-feira, podem circular em carros, apenas os trabalhadores essenciais./ NYT, REUTERS, AFP e W.POST

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