Clodagh Kilcoyne/REUTERS
Clodagh Kilcoyne/REUTERS

Variante traz incerteza a uma crise que se arrasta; leia análise

Vírus nos atinge em ondas, gerando e destruindo esperanças conforme elas diminuem ou se intensificam

Alex Baumhardt, Jack Douglas, Kayla Ruble e Lenny Bernstein, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2021 | 05h00

A morosa crise entra em seu terceiro ano e com a nova variante Ômicron ameaçando prejudicar outra temporada de feriados de fim de ano, ecos dos dois últimos anos são inequívocos. Banimentos da viagens internacionais? Estão de volta. Idosos apressando-se para ir se vacinar? Voltaram. Cálculos de tolerância a risco pessoal a cada movimento? Possivelmente também voltarão para nossas vidas. 

O vírus nos atinge em ondas, gerando e destruindo esperanças conforme diminuem ou se intensificam, ou segundo a maneira que os cientistas respondem com medidas de contenção. Viver dessa maneira é enlouquecedor e exaustivo, afirmam especialistas. Talvez o terceiro ano da pandemia nos exija que passemos a considerar o coronavírus uma presença de longo prazo nas nossas vidas, não um inimigo que será por fim destruído. E teremos de nos comportar de acordo. 

“Ajustar nossas expectativas para dar conta de imprevisibilidade, incontrolabilidade e do fato que nossas vidas podem ser tumultuadas e voltar ao normal, e incorporar esses fatores nas nossas expectativas poderia ser benéfico para nossa saúde mental”, afirmou Karestan Koenen, professora de epidemiologia psiquiátrica na Escola Harvard T.H. Chan de Saúde Pública. 

“Como humanos, não temos tanto controle como achamos que temos. O vírus acabou de deixar isso bem claro.” 

Algumas pessoas podem já ter reconhecido isso. Quando uma pesquisa Axios/Ipsos pediu no mês passado para os entrevistados preverem quando retornariam para sua “vida normal, pré-covid”, 16% responderam que isso nunca ocorrerá, a maior proporção desde que a pesquisa começou a fazer essa pergunta, no início de 2021. Outros 26% afirmaram que levará mais de um ano. 

Da mesma maneira que nas ondas anteriores do vírus, toda essa ansiedade ocorre antes de muita coisa ser conhecida a respeito da nova variante. Ainda há chance de que a Ômicron seja menos destrutiva do que o esperado. Mas nossos cérebros estão constantemente tentando impor ordem e previsibilidade ao nosso entorno e circunstâncias. Em face a dois anos de transtornos e incertezas, reações fortes são de se esperar. /TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

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