Várias crianças estão entre os 700 reféns ''''esquecidos''''

Finalidade da maior parte dos seqüestros é cobrança de resgate, mas engenheiros e médicos prestam serviços

Ruth Costas, Caracas, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

O grupo de 46 reféns políticos, do qual Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo faziam parte, é o que recebe mais atenção da mídia, organizações internacionais e governos envolvidos nas negociações com a guerrilha colombiana Farc. Mas um outro grupo de seqüestrados mobiliza muito menos a imprensa e as entidades estrangeiras, apesar de viverem uma realidade igualmente dramática nas mãos dos rebeldes.Estima-se que hoje as Farc mantenham mais de 700 reféns em cativeiro para os mais variados fins, mas principalmente para conseguir dinheiro para financiar suas atividades.São pequenos comerciantes, empresários, profissionais liberais e até crianças que foram capturados em áreas do território colombiano dominadas pela guerrilha."Um perfil muito representativo nesse grupo é o dos engenheiros e funcionários de grandes companhias que trabalham no interior colombiano", disse, ao Estado, Olga Lucia Gómez, diretora da Fundação País Livre, organização que oferece auxílio às famílias dos reféns. "Os guerrilheiros costumam seqüestrá-los para pedir às empresas que paguem pelo resgate, mudem o traçado de estradas em construção ou façam qualquer obra que estejam precisando."Outro seqüestro relativamente freqüente é o de médicos e enfermeiros, que são levados para a selva para atender a guerrilheiros doentes ou feridos. A captura de menores de idade - segundo Olga foram mais de 2 mil nos últimos 10 anos - teria duas finalidades: conseguir dinheiro, no caso dos filhos de empresários e pequenos comerciantes, e recrutar de maneira forçada novos guerrilheiros, no caso dos camponeses pobres.Nos últimos meses, as Farc aparentemente vêm retomando a modalidade de seqüestro conhecida como "pesca milagrosa", que consiste em subjugar grandes grupos de pessoas - entre passageiros de ônibus, trens e até aviões ou espectadores de eventos esportivos e artísticos - para selecionar reféns que possam render um resgate maior. Os seqüestros podem durar de alguns meses a até dois anos e, se a família não consegue pagar o resgate que os guerrilheiros guerrilha pedem, a morte do refém é certa."Na região da fronteira com a Venezuela, as Farc também costumam seqüestrar venezuelanos", diz César Restrepo, pesquisador da Fundação Segurança e Democracia, em Bogotá. "A estimativa é de que mais de 60 estejam em cativeiro hoje." Na sexta-feira, a Federação Nacional dos Pecuaristas Venezuelanos pediu ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que pressione os rebeldes a libertarem seus conterrâneos seqüestrados pela guerrilha em fazendas e estradas próximas à Colômbia. "Também solicitamos ao governo que exija das Farc que parem definitivamente com os seqüestros e extorsões em nosso território", diz o comunicado da Federação.

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