Várias identidades de um assassino

Impostor passou-se por Rockefeller para se casar

Reuters e AFP - O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2013 | 02h05

Um estelionatário alemão que se fez passar por membro da abastada família Rockefeller por mais de uma década foi sentenciado ontem pela Justiça de Los Angeles à prisão perpétua, em regime fechado pelo período mínimo de 27 anos, por um assassinato ocorrido em 1985.

Com fala mansa, sem demonstrar sinais de emoção, Christian Karl Gerhartsreiter, que tinha sido condenado em abril, jurou inocência diante da corte.

Após o desaparecimento de John Sohus, cujo corpo foi encontrado cortado em três pedaços nove anos depois, o alemão, que alugava uma casa da mãe do morto sob a alcunha de Christopher Chichester, um suposto aristocrata britânico, tornou-se "o bilionário" Clark Rockefeller. Em 1995, ele se casou com a bem-sucedida empresária Sandra Boss - que bancou o golpista em um sofisticado estilo de vida.

Onze anos depois, após contratar um detetive particular que revelou que seu marido não era quem dizia ser, apesar de não ter descoberto seu nome verdadeiro, Sandra se divorciou. A verdadeira identidade de Gerhartsreiter foi determinada pelas autoridades americanas em 2008, após o alemão ter sido preso em flagrante pelo sequestro da filha que teve com a empresária - que detinha a guarda da criança.

Ao prendê-lo em Baltimore, depois de uma semana de buscas, a polícia descobriu que ele tinha comprado um apartamento na cidade com o nome Charles Smith. O golpista foi identificado pelo irmão e as autoridades descobriram suas outras identidades.

"Christopher Chichester" tinha sido implicado no caso do desaparecimento de John Sohus - e de sua mulher, Linda. Segundo os promotores que obtiveram sua condenação, ele tentou manter a aparência de que ambos continuavam vivos, fazendo com que falsos cartões postais com suas assinaturas fossem enviados de Paris.

O corpo de Linda, que Gerhartsreiter acusa pelo assassinato do marido, nunca foi encontrado. A vida do estelionatário, que chegou aos EUA em 1978 passando-se por um produtor de Hollywood ou um nobre britânico vindo da África do Sul, foi investigada pelo jornalista Mark Seal, cujo livro, The Man in the Rockefeller Suit, poderá virar um filme com direção do brasileiro Walter Salles. Gerhartsreiter já inspirou também um filme para TV e um romance.

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