Mohamed Messara/Efe
Mohamed Messara/Efe

Vários países na Europa já tratam Kadafi como ex-líder

Suíça bloqueia contas do ditador e Grã-Bretanha e França já falam em processá-lo por crimes contra a humanidade

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

GENEBRA

A Europa já trata Muamar Kadafi como ex-líder. Ontem, a Suíça, mesmo sem esperar a queda do ditador, bloqueou suas contas nos bancos do país. A França deixou claro que quer uma mudança de regime na Líbia e indica que pode levar Kadafi ao Tribunal Penal Internacional, enquanto a Grã-Bretanha alertou que prepara sanções políticas, financeiras e comerciais.

"Espero, de todo o coração, que Kadafi esteja vivendo seus últimos momentos como líder", afirmou o ministro de Defesa da França, Alain Juppé. Para ele, os ataques contra a população podem ser considerados "crimes contra a humanidade", o que poderia levar a um processo contra Kadafi. Tanto a França quanto a Grã-Bretanha já falam em um processo contra o ditador.

Juppé descartou ontem a possibilidade de uma intervenção militar por parte da Europa. Mas defendeu o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia. A ideia dos EUA é a de que França e Itália, pela proximidade com a Líbia, coordenem e apliquem a zona de exclusão.

Para a França, o princípio da não ingerência em assuntos de outro Estado não deve ser aplicado no caso da Líbia. "Quando um governo não é capaz de proteger sua população, quando a agride, a comunidade internacional tem o dever de intervir", disse. Segundo ele, pelo menos mil mortos já teriam sido contabilizados na Líbia.

O chanceler britânico, William Hague, também indicou que Kadafi está com seus dias contados: "A situação está muito contra ele e a pressão aumentará muito nos próximos dias".

Ontem, o presidente americano, Barack Obama, falou por telefone com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, e os premiês britânico, David Cameron, e italiano, Silvio Berlusconi, para discutir "uma série de opções" que eles estão considerando para responder à crise na Líbia.

Um sinal claro da reação da Europa foi a atitude tomada pela Suíça ontem que optou em congelar todas as contas do ditador líbio e da família dele, alegando que o bloqueio era uma forma de evitar que o dinheiro fosse desviado para atividades suspeitas, como a compra de armas. O dinheiro ficará bloqueado por três anos. Em casos parecidos na Tunísia e no Egito, as autoridades suíças esperaram até a queda dos ditadores para iniciar o processo de congelamento das contas, o que provocou críticas por parte de vítimas e de ONGs.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.