Carl Court/Getty Images/AFP
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Vaticano abre nova investigação sobre revelação de documentos sigilosos

Segundo Santa Sé, informações divulgadas na imprensa são ‘parciais e imprecisas’. Jornalistas que escreveram obras com base nos relatórios revelados estão sendo investigados

O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2015 | 15h46

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano informou nesta quarta-feira, 11, que abriu uma sindicância para averiguar o documento sigiloso da Administração do Patrimônio da Sede Apostólica (APSA) que foi revelado e explicou que o órgão não está sendo investigado pelas autoridades.

Em comunicado, a Santa Sé afirmou que são "parciais e imprecisas" as informações divulgadas pela imprensa nos últimos dias citando um documento da APSA, que apontaria que "uma atividade financeira ilegal foi instrumentalizada" dentro da instituição.

De acordo com uma matéria da agência Ansa, os jornalistas Emiliano Fittipaldi e Gianluigi Nuzzi, autores dos livros Avarizia (Avareza) e Via Crucis, também estão sendo investigados pelo Vaticano a respeito dos documentos secretos que foram revelados. Ambos os livros revelam escândalos financeiros do país.

O objetivo é concluir as investigações até o dia 8 de dezembro, data do início do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo papa Francisco, que tem sido informado constantemente a respeito do andamento do caso.

A nota diz que "a APSA colaborou com os órgãos competentes e que não está sob investigação, continuando a desenvolver sua própria atividade com respeito à legislação vigente".

O livro Avarizia conta como milhares de euros foram gastos em voos de classe executiva, roupas sob medida e móveis de luxo, além do vasto patrimônio do Vaticano, que teria posse de cerca de 5 mil apartamentos em Roma.

Via Crucis faz uma análise sobre as dificuldades enfrentadas pelo Papa para reformar a Santa Sé com base em documentos inéditos. A obra relata os duros ataques de Francisco contra os dirigentes que comandaram as finanças do Vaticano nos anos anteriores a sua chegada ao poder. “Os custos estão fora de controle” é uma das frases atribuídas ao pontífice.

Ambos os livros já estão entre os mais vendidos na Itália e mostram arquivos secretos da Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas da Santa Sé, criada por Francisco em 2013 - e já dissolvida - para monitorar as contas do país.

O Vaticano já havia comunicado na semana passada a abertura de uma investigação sobre as operações financeiras realizadas pelo italiano presidente do Banco Finnat, Giampietro Nattino, e que pediu a ajuda das autoridades suíças e italianas.

"O escritório do promotor de Justiça, em razão de um relatório da Autoridade de Informação Financeira, em fevereiro de 2015, começou uma investigação relativa às operações de compra e venda de títulos e transações realizadas pelo senhor Giampietro Nattino", comunicou a Santa Sé.

A confirmação da investigação ocorreu depois de uma agência internacional de notícias ter informado que Nattino enviou mais de 2 milhões de euros à Suíça antes de o Vaticano ter estabelecido normas para perseguir o dinheiro procedente de atividades ilegais.

A matéria tinha como base um documento confidencial, que indicava que o presidente do Banco Finnat poderia ter utilizado a APSA entre 2000 e 2011 para transferir dinheiro à Suíça.

A mesma agência e outros veículos de comunicação que retomaram a investigação explicaram que a informação foi obtida a partir de um relatório que aborda o período entre 2000 e 2011 da APSA.

Essa nova investigação se une a outra aberta após a revelação de documentos sigilosos de caráter financeiro pelos quais foram detidos o sacerdote espanhol Lúcio Ángel Vallejo Balda e a italiana Francesca Chaouqui. /EFE

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