Vaticano admite divergências no supervisor financeiro

O Vaticano reconheceu nesta terça-feira que existem diferenças internas em seu organismo de supervisão financeira, cujo presidente renunciou recentemente. O jornal Il Messagero citou hoje uma carta de 16 de janeiro na qual o quadro de diretores da Autoridade de Informação Financeira reclamou ao secretário de Estado do Vaticano que não foi informado sobre as investigações de transações financeiras suspeitas.

AE, Agência Estado

18 de fevereiro de 2014 | 20h33

Segundo a carta, os diretores não foram informados das investigações desde a nomeação do suíço Rene Bruelhart como diretor-geral do organismo. Bruelhart é um reconhecido especialista em solucionar casos de lavagem de dinheiro. Duas semanas após a carta, o papa Francisco aceitou a renúncia do então presidente da agência, o cardeal Attilio Nicora.

A Autoridade de Informação Financeira foi criada em 2010 para supervisionar, regular e investigar as atividades financeiras da Santa Sé, de modo a garantir o cumprimento das normas internacionais.

Bruelhart, que chefiou a unidade de inteligência financeira de Liechtenstein, foi convidado ao Vaticano em 2012. O suíço se juntou a um quadro de diretores dominado por italianos com relações próximas às instituições financeiras.

O estatuto do organismo prevê que o quadro de diretores e o presidente têm somente autoridade de supervisão, enquanto os assuntos operacionais são de responsabilidade do diretor-geral. Mesmo assim, o quadro de diretores reclamou que não foi capaz de realizar seu trabalho porque foi "mantido no escuro sobre quase todas as atividades" relacionadas a transações suspeitas.

Questionado sobre a carta, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi reconheceu que houve diferenças de opiniões na agência. "Eu ficaria surpreso se não houvesse discussões ou diferenças de visões ou de interpretações", afirmou.

Nesta terça-feira, o papa e um grupo de oito conselheiros ouviram recomendações de uma comissão de inquérito sobre a reforma do banco do Vaticano. O banco já foi centro de alguns escândalos, sendo o mais recente a prisão de um contador, detido sob a suspeita de utilizar a conta bancária do Vaticano para lavar dinheiro. Fonte: Associated Press.

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