Vaticano aprova regras sobre abuso sexual para os EUA

O Vaticano aprovou hoje as normas revisadas por bispos americanos para combater os casos de abusos sexuais na Igreja Católica, três dias após ter aceito a renúncia do cardeal de Boston, Bernard Law, acusado de negligência durante os escâdalos.A aprovação era esperada, depois que as divergências sobre o plano original foram resolvidas por uma comissão conjunta do Vaticano e da Igreja Católica dos EUA.A Santa Sé confirmou haver optado por uma linha severa, tal como o decidido em junho, na Conferência Episcopal dos Estados Unidos, quando foram introduzidas normas para defender os religiosos em caso de acusações injustas. A Igreja americana teve de modificar o primeiro documento, muito severo, sobre o tema, a pedido das autoridades do Vaticano, que exigiram a inclusão do princípio da presunção da inocência.A decisão aprovada foi comunicada por meio de uma carta do cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos, ao presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Wilton Gregory. O novo documento sustenta que "uma pessoa é considerada inocente desde que o processo ou uma confissão espontânea não provem o contrário", de maneira a garantir maior justiça aos religiosos suspeitos ou acusados de pedofilia."A Santa Sé apóia totalmente os esforços dos bispos para combater e prevenir esse mal", escreve o cardeal Re. As normas foram adotadas "especificamente" para a Igreja dos EUA, diz o cardeal, e não são válidas para outros países. "A lei universal da Igreja reconhece esse crime como uma das ofensas mais sérias que ministros consagrados podem cometer", afirmou.O Vaticano deseja que as novas normas adotadas na Igreja americana outorguem "uma proteção eficaz aos menores e ofereçam meios rigorosos e precisos para castigar de maneira justa os responsáveis de crimes tão horríveis".O cardeal Re recorda que o papa fez um pronunciamento sobre o caso, advertindo que "não há lugar na Igreja para aqueles que cometem o mal contra as crianças".As novas normas foram aprovadas formalmente por meio de um texto escrito em latim. O decreto sustenta que se busca "constatar que as acusações sejam verdadeiras e confirmadas, para proteger os direitos humanos, entre eles o direito de defesa, e para garantir o respeito à dignidade das pessoas afetadas, começando pelas vítimas."

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