Vaticano 'avaliará com calma' situação canônica de Lugo

Igreja estudará 'sem pressa' qual o melhor status para bispo católico suspenso e presidente eleito do Paraguai

Efe,

21 de abril de 2008 | 16h54

O Vaticano "avaliará e aprofundará com calma, do ponto de vista canônico, qual pode ser a melhor solução" para definir o status na Igreja com relação ao bispo católico suspenso "a divinis" Fernando Lugo, vencedor das eleições presidenciais do Paraguai. O jesuíta Federico Lombardi afirmou que, "em um clima tranqüilo e sereno e sem pressa, as autoridades competentes definirão melhor o status" de Lugo. Veja também:Lugo se diz 'serenamente contente' por vitória no Paraguai Lombardi evitou avaliar a vitória do ex-bispo nas eleições do último domingo, pois não corresponde a ele apresentar um julgamento de caráter político particular, "pois o povo escolhe livremente os governantes". O porta-voz afirmou que Lugo já não exercia o Ministério episcopal há muito tempo por causa da suspensão "a divinis" e que o fato de ter vencido as eleições não representa que tenha que adotar de forma "urgente" novas medidas sobre seu status em relação à Igreja. "Caso tenham que adotar novas medidas nesta nova etapa, as autoridades competentes - a Congregação para os Bispos - farão uma reflexão tranqüila, pois não há um problema de grande urgência. O fato de já não exercer o Ministério episcopal permite que agora com calma se avalie melhor o seu status", declarou Lombardi. O jesuíta disse que "é necessário se aprofundar do ponto de vista canônico para ver qual pode ser a melhor solução." Lombardi afirmou que o Vaticano não questiona sua escolha como eventual futuro presidente do Paraguai e muito menos que a Igreja vá fazer a ele uma "espécie de oposição particular." "A questão é como definir corretamente seu status, pois era um bispo. É uma questão jurídica canônica sobre sua função, seu status na Igreja. Não é um problema de relações diplomáticas", declarou Lombardi. Ao ser questionado se Lugo será reconduzido para o estado laico ou se receberá a dispensa papal, Lombardi afirmou que "é prematuro" falar destas possibilidades e disse que agora o papa, a Congregação para os Bispos e a Conferência Episcopal do Paraguai discutirão com calma e serenidade para buscar a melhor solução do ponto de vista canônico, "tudo isto sem dramas." Sobre o fato de ser a primeira vez em que um bispo é eleito presidente da República, Lombardi disse que é um feito que "chama a atenção e uma situação inédita", embora o triunfo de Lugo não tenha lhe causado "uma grande surpresa." Em janeiro do ano passado, o Vaticano suspendeu o bispo Fernando Lugo "a divinis", que significa, segundo o Código de Direito Canônico, que o "sacerdote continua obrigado aos deveres a ele inerentes, embora esteja suspenso do ministério sagrado". Lugo pediu ao papa para retornar ao estado laico, mas o pontífice rejeitou a solicitação.

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