Vaticano condena cobertura da mídia sobre a guerra contra o terror

Após 11 de setembro e o início do combate contra o terrorismo, os meios de comunicação têm optado com freqüência "pelos clichês e simplificações fáceis" e a televisão, de modo especial, tem mostrado a "guerra como espetáculo". A afirmação foi feita pelo diretor da Fides, a agência do Vaticano para as Missões, padre Bernardo Cervellera. Para o responsável pela Rádio Vaticano, Federico Lombardi, a informação está sendo "condicionada". Ambos os religiosos participaram de um debate sobre os meios de comunicação católicos e a guerra, promovido pela Rádio Vaticano por ocasião do nascimento da Signis - nova entidade que reúne em âmbito internacional trabalhadores de rádio, televisão e cinema. "Pode-se observar nos meios de comunicação uma certa superficialidade ao falar do conflito entre cristãos e muçulmanos, Oriente e Ocidente", observou Cervellera. O diretor da Fides acrescentou que se aplicou um "esquema fácil", em que "os jornais e a televisão puxam pela emotividade; do Islã, não conseguem mostrar suas várias facetas; nem a capacidade do Ocidente de estreitar relações não apenas econômicas. Foi o que aconteceu com os meios de comunicação ´seculares´, e os católicos seguiram o mesmo rastro". Os meios católicos nem sequer funcionaram como "contra-informação", afirmou Cervellera. "Até hoje, por força das circunstâncias e da situação em curso - observou o padre Lombardi -, é preciso reconhecer que a informação sobre a guerra foi condicionada, embora... muitas pessoas e instituições do setor se arrisquem para dar uma informação adequada. Mas sobre o Afeganistão ainda não temos uma informação completa e objetiva". Quanto aos jornalistas assassinados, Cervellera disse que eles "deram a vida padecendo do que sofrem essas populações há decênios, enquanto a televisão dá espetáculos e talk-shows sobre a guerra, preferem a superfície e não analisam os elementos econômicos, religiosos e políticos que estão por trás desta crise". "Nem sequer o meios católicos - acrescentou - conseguem aprofundar as pistas indicadas pelo Papa: paz, diálogo entre religiões, relação Oriente-Ocidente não apenas em termos econômicos, atenção à pobreza". "A informação está intoxicada", disse Cervellera. Para Lombardi, "as facetas éticas da crise internacional ainda devem ser aprofundadas". O debate na Rádio Vaticano começou com um minuto de silêncio em memória dos sete jornalistas mortos no Afeganistão nos últimos dez dias. Leia o especial

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