AP Photo/Nariman El-Mofty
AP Photo/Nariman El-Mofty

Vaticano confirma viagem de papa ao Egito apesar de atentados 

O fato de os ataques terem sido programados para o começo da Semana Santa e a três semanas da viagem de Francisco gera preocupação, uma vez que as medidas de segurança foram reforçadas

O Estado de S. Paulo

10 Abril 2017 | 15h14

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano confirmou oficialmente nesta segunda-feira, 10, que o papa Francisco manterá sua viagem ao Egito, prevista para o fim desde mês, apesar dos atentados de domingo contra duas igrejas coptas que causaram a morte de 44 pessoas. 

"Não há dúvidas de que o Santo Padre manterá seu programa de visitar o Egito" nos dias 28 e 29 próximos, afirmou o monsenhor Angelo Becciu, número três do Vaticano, em uma entrevista ao diário italiano Corriere della Sera. "O que acaba de ocorrer causou muita desordem e sofrimento, mas isso não pode impedir a missão de paz do papa", explicou. 

Com o tema "O papa da paz no Egito da paz", o pontífice argentino programou uma delicada viagem de dois dias para defender o diálogo entre as religiões e, ao mesmo tempo, render homenagem aos cristãos coptas, vítimas de nomerosos atentados nesse país. 

Os atentados são "um ataque ao diálogo, à paz", reconheceiu Becciu, um tipo de ministro do Interior do Vaticano, que acompanhará o papa ao Egito. 

O religioso considera também que os atentados são uma "mensagem indireta ao governo desse país e contra a minoria cristã, que tem obtido mais liberdades nos últimos tempos", estimou. "Egito nos tem garantido que tudo sairá bem, viajamos tranquilos", afirmou. 

Por motivos de segurança, no programa do papa no Egito, durante os dois dias, não se especifica o lugar das reuniões, ainda sim se sabe que ele se encontrará com o presidente Abdel Fattah Al-Sissi, com o grande imã da mesquita Al-Azhar, Ahmed el Tayeb, e com o "papa" dos cristãos coptas, Teodoro II. 

Francisco, que sempre se manifestou a favor do diálogo com as outras religiões, se nega a associar o Islã ao "terrorismo", recordou Becciu, que foi núncio por anos na África. 

Cerca de 10% dos 92 milhões de egípcios pertencem à comunidade copta, em um país em que os muçulmanos sunitas representam a imensa maioria. 

Os atentados de domingo foram reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e estão entre os mais sangrentos ataques dos últimos anos contra a minoria cristã desse país. 

O fato de os ataques terem sido programados para o começo da Semana Santa e a três semanas da viagem de Francisco gera preocupação, uma vez que as medidas de segurança foram reforçadas. 

Imediatamente depois de saber da notícia, o pontífice pediu que "o Senhor converta os corações dos homems que semeam terror, violência e morte; que converta também o coração daqueles que fabricam e traficam armas", ao mencionar também as empresas fabricantes de armas, em geral, dos países desenvolvidos, que fomentam as guerras em numerosos países. / AFP  

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.