Vaticano considera ?dura demais? expulsão de padres pedófilos

O Vaticano divulgou oficialmente hoje (23) o relatório de 220 páginas Abuso Sexual na Igreja Católica: Perspectivas Científicas e Legais, elaborado por psiquiatras, psicólogos e especialistas não-católicos. O documento, que será entregue a todas as conferências nacionais de bispos, considera "dura demais e contraproducente do ponto de vista da proteção à criança" as políticas de tolerância zero, que prevê a expulsão dos padres acusados de pedofilia.O documento foi lançado dias antes de a Conferência nacional dos Bispos dos Estados Unidos divulgar oficialmente uma pesquisa nacional, que faz um levantamento dos casos de abuso cometidos por padres desde a década de 50. Neste 54 anos, cerca de 4.500 padres foram acusados de molestar menores, embora o número de casos tenha caído dramaticamente nos anos 90.As vítimas temem que os dois relatórios levem os bispos americanos a relaxar a política de tolerância zero, adotada depois de uma série de escândalos, e que fica em vigor até junho. David Clohessy, diretor da Survivors Network of those Abused by Priests, diz que o histórico de bispos que protegeram padres acusados de abuso torna impossível que os católicos confiem numa disciplina menos rígida que a tolerância zero. "O relatório do Vaticano dá cobertura para cada criminoso e cada bispo que o proteger. Faz com que as vítimas, já arrasadas, sintam-se ainda mais desesperançadas", afirmou.Os bispos americanos reúnem-se nas próximas semanas para rever a política de tolerância zero, de acordo com o presidente da Conferência Nacional dos Bispos dos EUA, Wilton Gregory. Apesar de não ter lido o relatório do Vaticano, Wilton afirmou que seria errado considerar o documento como uma crítica à política adotada pelos americanos. Os padres dos EUA continuam determinados a banir os pedófilos do trabalho religioso. "Não vejo os bispos voltando atrás nessa decisão", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.