Vaticano critica bispo que negou o Holocausto

O Vaticano declarou hoje que os comentários feitos por um bispo recentemente reabilitado, de que os judeus não foram exterminados durante o Holocausto, são "inaceitáveis" e violam os ensinamentos da Igreja Católica Romana. Em artigo de primeira página no jornal L''Osservatore Romano, do Vaticano, o periódico reafirmou na edição desta segunda-feira que o papa Bento XVI deplora todas as formas de antissemitismo e que todos os católicos romanos precisam fazer o mesmo.O artigo foi publicado em meio a um grande protesto de grupos judaicos, após Bento XVI ter retirado a excomunhão, na semana passada, contra o bispo conservador Richard Williamson, que negou que seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas na II Guerra Mundial (1939-1945), no chamado Holocausto, ou genocídio dos judeus. O Vaticano ressaltou que o fato da excomunhão ter sido removida não significa que o Vaticano compartilhe as opiniões de Williamson.Williamson e três outros bispos conservadores foram excomungados há 20 anos, após terem sido consagrados pelo ultraconservador arcebispo Marcel Lefevre, sem consentimento papal. Na época, o Vaticano disse que o movimento de Lefevre era cismático. Bento XVI, no entanto, deixou claro desde o começo do seu pontificado, em 2005, que ele deseja reconciliar a ultraconservadora Sociedade de São Pio X, o movimento de Lefevre, com o Vaticano.Lefevre se rebelou contra o Vaticano em 1969. Ele se opunha aos ensinamentos do Concílio Vaticano II (1962-1965) que fez reformas liberalizantes na Igreja. No Vaticano II, a Igreja deplorou o antissemitismo e as relações dos católicos com a comunidade judaica foram revolucionadas. Na semana passada, comentários de Williamson foram exibidos na televisão da Suécia. Segundo o Vaticano, os comentários "são muito sérios e lamentáveis, contradizendo os ensinamentos da Igreja".Na entrevista, Williamson disse que a evidência histórica "é de maneira forte contra seis milhões de judeus terem sido mortos deliberadamente nas câmaras de gás, como parte de uma política de Adolf Hitler". Grupos judaicos, como o Comitê Judeu Americano, o Centro Simon Wiesenthal e a Agência Judaica denunciaram o Vaticano por ter acolhido um negador do Holocausto.Nesta segunda-feira, o cardeal Angelo Bagnasco, chefe da Conferência Episcopal Italiana, defendeu a decisão do papa em retirar a excomunhão a Williamson, mas criticou a visão dele sobre o Holocausto, a qual definiu como "injustificável". A Conferência Episcopal da Alemanha também denunciou Williamson.

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