Vaticano critica decisão de suíços sobre aborto

O Vaticano denunciou o resultado do referendo com o qual os eleitores suíços deram amplo apoio ao afrouxamento das restrições ao aborto. O resultado do referendo de domingo "inflige um novo golpe no direito à vida, um bem fundamental e inalienável", escreveu o jornal do Vaticano, L´Osservatore Romano, nesta segunda-feira. No domingo, 72% dos votos foram a favor da liberalização da legislação aprovada no ano passado, que permite o aborto nas 12 primeiras semanas de gestação. Oitenta e dois por cento dos eleitores rejeitaram uma segunda proposta, apresentada por uma coalizão antiaborto, pedindo uma emenda constitucional que tornaria o aborto permissível apenas em casos em que não há outra maneira de salvar a vida da mulher. O L´Osservatore Romano citou um comentário da Conferência Episcopal suíça, segundo a qual a votação "abre as portas para novos ataques ao direito à vida" e diz que "nem tudo que é legalmente aprovado é moralmente aceitável". Sob a nova legislação, um médico não precisa mais ter a autorização de um segundo colega para aceitar a alegação de uma mulher, de que ela enfrentará "sofrimento" se tiver uma criança. Após o 12ª semana de gravidez, o aborto só será permitido se a "integridade física" da mulher grávida estiver sob risco ou se ela estiver enfrentando um "profundo estresse". A lei atual diz que os médicos que realizarem o aborto poderão enfrentar até cinco anos de prisão e as mulheres envolvidas, três anos. Mas, embora cerca de 13.000 mulheres pratiquem aborto a cada ano nas clínicas do país, nenhuma foi condenada desde 1988. Apenas cinco médicos foram condenados nos últimos 9 anos, por desrespeitarem a lei. Enquanto a antiga lei tem sido interpretada com flexibilidade nos cantões majoritariamente protestantes da Suíça, em três cantões de maioria católica ela ainda é interpretada ao pé da letra. O presidente da Conferência dos Bispos suíça, Monsenhor Amedée Grab, disse à rádio Vaticano que "acima de tudo, a moral" foi derrotada no referendo. A vitória dos que defendem a liberalilzação da lei, segundo ele, "era esperada, mas não imaginávamos que alcançaria uma porcentagem tão alta".

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