Vaticano diz saber que líder turco não se reunirá com papa

O Vaticano afirmou nesta quinta-feira, em comunicado, que tinha sido informado já durante a preparação da viagem sobre a possibilidade de o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, não se reunir com o papa Bento XVI na Turquia, para onde o Pontífice irá no final de novembro. Na nota, a Santa Sé acrescenta que, durante a preparação da viagem, foi comunicada de que Erdogan "tentou estar presente para se encontrar com o Papa", mas que "não podia garantir". No caso de ausência, o premier turco "seria representado por importantes autoridades do Governo". Erdogan estará em Riga, a capital da Letônia, para participar de uma cúpula da Otan nos dias 28 e 29 de novembro, por isso não coincidirá com o pontífice durante os dois primeiros dias de sua visita à Turquia, de 28 de novembro a 1º de dezembro. Lembranças duras Em setembro deste ano, Bento XVI fez uma declaração que irritou os muçulmanos durante uma conferência na Universidade de Regensburg, Alemanha, na qual criticou o fundamentalismo religioso e o uso da violência como método para impor uma religião. O papa lembrou as palavras de um imperador bizantino do século 14, Manuel II Paleólogo, para quem Maomé defendia coisas más e desumanas, "como defender a fé usando a espada". As palavras do chefe da Igreja Católica geraram diversos protestos, muitas vezes violentos, no mundo inteiro, vindos de muçulmanos revoltados com as declarações. O pontífice chegou a ser ameaçado de morte caso fosse à Turquia, embora tenha se retratado afirmando que sua intenção não foi ofender o mundo islâmico e se dizer "arrependido" por fazer tal declaração.

Agencia Estado,

02 Novembro 2006 | 13h11

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