Vaticano fala à ONU pela 1ª vez e condena unilateralismo

O Estado do Vaticano, em seu primeiro discurso já feito perante a Assembléia geral das Nações Unidas, pediu uma proibição total da clonagem humana, criticou a guerra no Iraque e o uso de respostas unilaterais contra o terrorismo. O arcebispo Giovanni Lajolo, secretário da Santa Sé para relações com Estados, falou em termos amplos e não mencionou a invasão do Iraque pelos EUA, nem disse quais os países que agem unilateralmente, mas fez referência à oposição do papa João Paulo II à guerra no Iraque. "Todos podem ver que ela não levou a um mundo mais seguro, seja dentro ou fora do Iraque", disse ele, ressaltando que é imperioso apoiar o novo governo iraquiano para levar normalidade e democracia ao país. Sobre o terrorismo, o arcebispo disse que é preciso que os países trabalhem juntos. "Parece óbvio que o terrorismo só pode ser desafiado de forma efetiva por meio de uma abordagem coordenada multilateral... E não por políticas de unilateralismo".O Vaticano atua como observador na ONU desde 1964, mas a Santa Sé jamais havia se pronunciado durante a reunião anual de chefes de governo e ministros. Discursar para a Assembléia Geral é privilégio dos países membros das Nações Unidas, estendido a observadores apenas quando os membros votam por uma permissão.Na Assembléia Geral passada, a ONU havia aprovado uma resolução dando ao Vaticano o direito de participar do debate e de outras atividades. A Santa Sé não pediu integração plena às Nações Unidas.

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