Vaticano: família tradicional nunca esteve tão ameaçada

O Vaticano criticou duramente nesta terça-feira os contraceptivos, o aborto, os bebês de proveta e casamentos homossexuais, considerando que são ameaças "à instituição natural do casamento." Para o Vaticano, a família tradicional nunca esteve tão ameaçada quanto nos dias de hoje.O documento de 57 páginas foi divulgado pelo Pontifício Conselho para a Família, cujo presidente, o cardeal Alfonso Lopez Trujillo, é um tenaz opositor do uso da camisinha em qualquer circunstância. Não houve a apresentação de novas idéias no texto, tratando-se apenas de uma compilação das tradicionais posições do Vaticano."O homem dos tempos modernos radicalizou a tendência de assumir o lugar de Deus e substitui-lo", afirma. "Nunca antes na história a procriação humana, e conseqüentemente a família, que é seu lugar natural, tem sido tão ameaçada quanto na cultura atual", afirma o documento.Sobre o casamento entre pessoas de mesmo a crítica também foi ferrenha. "Casais formados por homossexuais clamam direitos semelhantes àqueles reservados ao marido e à mulher; eles chegam a clamar o direito de adoção. Mulheres vivendo uma união lésbica clamam direitos semelhantes, exigindo leis que dêem a elas acesso à fertilização heterossexual ou à implantação de embriões. Além do mais, a ajuda da lei para formar tais casais incomuns caminha par e passo com a ajuda ao divórcio e à separação".Ativistas gays na Itália imediatamente condenaram o documento como "um ataque contra a vida moderna, a liberdade e a redenção social".Métodos contraceptivos O documento não menciona o debate em curso dentro do Vaticano sobre se a Igreja Católica deve permitir o uso de preservativos na luta contra a aids numa circunstância especial - quando um dos parceiros no casamento tem o vírus HIV.Foi reafirmada a famosa encíclica de 1968 "Humanae Vitae", que declara a oposição do Vaticano à contracepção. Entretanto, foi dito, que casais "têm se limitado a um, ou no máximo dois filhos".Lopez Trujillo abriu uma grande polêmica três anos atrás ao afirmar que camisinhas não evitavam a aids, podendo na verdade ajudar a disseminar a doença ao criar um falso senso de segurança. O Vaticano insiste que a abstinência sexual é a única forma segura de se lutar contra a aids.O documento faz um amplo ataque ao que seria ameaças à "instituição natural do casamento".O documento também condena bebês de proveta, inseminação artificial e o uso de embriões. "Se um homem assume o poder para fabricar homem, ele também assume o poder para destruí-lo", adverte o texto. "O ser humano tem o direito de ser gerado, não de ser produzido, de vir à vida não em virtude de um processo artificial mas de um ato humano no pleno sentido do termo: a união entre um homem e uma mulher".

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