Vaticano julga "provocação" assentamentos

Os assentamentos judeus nos territórios árabes ocupados por Israel, que deveriam ser devolvidos aos palestinos, são "em certo sentido uma provocação", que suscita uma "reação absolutamente desmedida, não justificável, mas certamente um pouco compreensível", afirmou nesta segunda-feira o cardeal Pio Laghi ao regressar de sua missão à Terra Santa. O cardeal - que entregou pessoalmente ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e ao presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, duas cartas escritas pelo papa João Paulo II, nas quais o pontífice faz um apelo em favor das negociações para um cessar-fogo - falou sobre sua delicada missão em uma entrevista transmitida pela Rádio Vaticano. A autoridade papal, disse, é respeitada por judeus e palestinos, "mas é escutada com enormes dificuldades", e "em geral a mensagem do papa é recebida com muito respeito por ambas as partes". Para Sharon, acrescentou o cardeal, "a paz equivale à segurança. Naturalmente, a segurança sob determinadas condições. E não se consegue ir adiante em relação a esses pontos". "Por exemplo, estes assentamentos de colonos (judeus) nos territórios que em breve deveriam ser restituídos à Autoridade Palestina, representam, de certo modo, uma provocação, para não dizer mais. E isto suscita da outra parte uma reação absolutamente desmedida, não justificável, mas até certo ponto compreensível", explicou o purpurado. Laghi também disse que se reuniu com Arafat logo após o funeral do alto funcionário palestino Faisal Husseini, que faleceu durante uma visita ao Kuwait devido a uma crise cardíaca. "Causou-me assombro que Arafat, após a morte do amigo e confidente, tivesse dado atenção a nós, à nossa missão, por tanto tempo", destacou o enviado do papa. "Eu o achei cansado, talvez frustrado, certamente abalado pela morte de seu amigo - membro da Autoridade Palestina e muito influente em Jerusalém -, mas em certo sentido também com uma grande confiança no papa", acrescentou Laghi. A respeito da atmosfera reinante nas ruas e entre as pessoas comuns, nos territórios, o enviado do papa disse que seu estado de ânimo está "realmente prostrado".

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