Jonathan Newton/The Washington Post via AP, Pool
Jonathan Newton/The Washington Post via AP, Pool

Vaticano manifesta vergonha em caso de padres pedófilos nos EUA

Santa Sé considera que abusos descritos no relatório da promotoria da Pensilvânia são 'criminosos e moralmente reprováveis'

O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 19h53

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano se manifestou nesta quinta-feira, 16, reagindo com "vergonha e dor" à investigação dos abusos sexuais praticados por mais de 300 padres na Pensilvânia, e assegurou que o papa Francisco está do lado das vítimas. 

"As vítimas devem saber que o papa está do seu lado. Aqueles que sofreram são sua prioridade, e a Igreja quer ouvi-los para erradicar esse trágico horror que destrói a vida dos inocentes", declarou a Santa Sé em um comunicado. 

Um relatório do Grande Júri da Pensilvânia, publicado na terça-feira, revelou abusos sexuais praticados por mais de 300 "padres predadores" e seu acobertamento pela Igreja Católica nesse Estado, onde pelo menos mil meninos e meninas foram vítimas desses atos durante 70 anos.

Pedofilia

Não é a primeira vez que um júri popular publica um relatório revelando escândalos de pedofilia dentro da Igreja católica americana, mas nunca tantos casos haviam sido revelados de uma vez.

"Padres violentaram meninos e meninas, e os homens da Igreja que eram seus responsáveis não fizeram nada. Durante décadas", escreveram os membros do júri no relatório publicado na terça.

O Vaticano reagiu afirmando levar "muito a sério" o relatório e assegurou que "duas palavras podem expressar o que se sente diante destes crimes horríveis: vergonha e dor". 

"Os abusos descritos no relatório são criminosos e moralmente reprováveis. Esses atos traíram a confiança e roubaram das vítimas sua dignidade e sua fé", diz o comunicado.

A Santa Sé lembra, no entanto, que a maior parte dos casos mencionados é anterior ao começo dos anos 2000, quando a revelação de vários escândalos levou a Igreja americana e realizar "reformas". 

Acredita-se que o relatório seja o mais abrangente até hoje sobre abusos cometidos dentro da Igreja americana desde o ano de 2002, quando o jornal The Boston Globe expôs pela primeira vez sacerdotes pedófilos em Massachusetts.

A investigação realizada pelo Grande Júri em quase todas as dioceses da Pensilvânia (exceto duas) levou dois anos e resultou em dezenas de testemunhos e 500 mil páginas de registros, contendo "alegações confiáveis contra mais de 300 padres predadores".

Mais de mil menores vítimas destes abusos foram identificados, mas o "número real" estaria na casa "dos milhares", estimou o Grande Júri. / AFP 

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