Vaticano: Papa compara crise da fé aos desacordos matrimoniais

O Papa Bento XVI comparou nesta quinta-feira a crise da fé do sacerdócio com os desacordos matrimoniais, e ressaltou a necessidade de "aceitar e reconhecer a entidade do outro quando parece que não se pode mais ficar junto". O Papa fez tais afirmações durante um encontro com sacerdotes na residência de verão de Castel Gandolfo. "É necessário aprender a conhecer-se de novo, aprender a amar-se com um amor mais verdadeiro", manifestou aos religiosos durante um longo diálogo, no qual respondeu a questões sobre a importância da liturgia e dos sacramentos. Durante o encontro, Bento XVI também afirmou que a Igreja Católica saberá superar às provações impostas pelos tempos modernos assim como resistiu no passado às invasões muçulmanas, ao nazismo e ao comunismo, informou a agência de notícias France Presse.A Igreja vive e viverá, tal como sobreviveu, "independentemente dos sofrimentos e debilidades, a dois mil anos de história", sublinhou o pontífice ao citar as invasões muçulmanas, a filosofia iluminista, Karl Marx e Adolf Hitler, "que quiseram destruir o catolicismo".O sumo pontífice pediu aos sacerdotes com dúvidas vocacionais que não percam de vista os sacrifícios cotidianos de tantos maridos com relação a seus filhos, nas noites de insônia dedicadas a seu filho e nos problemas ligados à convivência. Tantos casamentos, mesmo depois de muitos anos, acabam pela "diferença de temperamentos", mas é justamente nas dificuldades que se deve voltar a encontrar "a beleza do amor", afirmou Bento XVI. "Uma beleza feita apenas de harmonia é deficiente. A verdadeira beleza necessita do contraste. A obscuridade e a luz se complementam. A uva, para amadurecer, precisa também da chuva e do vento", afirmou. É preciso aprender "a necessidade do sofrimento da crise", concluiu. Por último, o Papa fez menção "ao valor simbólico dos estigmas, selos da vitória de Cristo, de toda a vitória de seu amor por nós". Matéria ampliada às 18h35

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